Friday, November 06, 2009
Tuesday, October 20, 2009
Chamava-se Edgar e era de um azul bem azul. Morava comigo e com Amanda, minha filha, que tinha então 4 anos, no Itacorubi, aqui em Florianópolis. Era o ano de 2003.
Um querido, o Edgar compartilhava nossas vidas e nossas aventuras. Se descíamos para brincar no gramadinho que ficava atrás do prédio, o Edgar ia junto. Ficava ali, na boa. Eu lendo um livro na minha cadeira de praia, debaixo da laranjeira. A Amanda espalhando brinquedos pela grama. Ele ali, tranquilão e azul. Dentro de casa, quando colocávamos o cd do Palavra Cantada a todo volume, ele dançava também. Era um querido, o Edgar.
Um dia, fomos viajar. Nós duas, não deu pra levar o Ed. Deixamos na vizinha, prédio ao lado do nosso, amiga de algum tempo. Seriam poucos dias.
Na volta, ligo para a amiga pra buscar o Edgar.
- Oi, voltamos. Posso passar aí e pegar o Ed?
- Oi, Adri. Olha, não vai dar agora...Estou fora de casa. Podes me ligar de noite?
Claro, eu respondi. Mas confesso: senti algo de estranho na voz da minha interlocutora.
A verdade é que se passaram três dias de telefonemas, desculpas e desencontros. E nada do Edgar voltar pra casa.
Era um final de tarde de sexta, quarto dia depois do retorno da viagem. Eu saí do trabalho e passei no "escritório", ali no Seu Zezinho, no Mercado Público, pra encontrar uns amigos. Estavam todos muito esquisitos. Houve um constrangimento geral, um ar cerimonioso demais para minha chegada. Fúnebre.
Espera: quem me conhece sabe que sou expansiva e que quando chego, em geral, os amigos me recebem rindo. Não foi assim naquele dia.
Sentei, pedi uma cerveja pro Pinga, filho do Seu Zezinho. Márcia e Cristina cochichavam. Sérgio Murilo mal olhava pra mim. Valci fumava olhando pro outro lado.
Explique-se: Cristina era, então, sogra da minha amiga que hospedava o Edgar. Algo de estranho acontecia.
Ouvi a Márcia dizer pra Cris: Melhor contar de uma vez, de sopetão.
A Cris me olhou, triste, e disse:
- Adri, a gente não sabia como te dizer, mas o Edgar morreu.
- Como?
- É, subiu no telhado.
Nisso toca o telefone. Era a Bianca, minha amiga hospedeira.
- Adri, é a Bianca. Desculpa, mas eu não conseguia te contar. Os livros da estante caíram e derrubaram o aquário...Quando cheguei em casa, ainda no dia que tu viajou, o Edgar tinha ido dessa pra melhor...
- Bianca! Não fica assim, isso acontece...
Todos na mesa me olhavam com cara de velório. Eu dei uma risada.
- Gente, eu amava o Edgar, mas se a morte dele serviu pra me mostrar o quanto vocês me consideram, ele foi por um bom motivo, né?
De noite, contei pra Amanda. Ficou tudo bem. Mostrei pra ela onde a Bianca tinha enterrado o Ed. Conversamos sobre a morte e tals. Ficou, realmente, tudo bem.
Beijo, Ed. Beijo, turma.
Monday, October 12, 2009
Monday, October 05, 2009
Curta super bacaninha. Realização de alunos da Escuela Internacional de Cine y Televisión de San Antonio de Los Baños, Cuba. A história se passa no bairro chinês de Havana.
Comi um yakisoba por ali, em 2003, com amigos de vários países:
Colômbia, Espanha, Brasil, Chile, Dinamarca...
Bons tempos!
Wednesday, September 23, 2009
Aconteceu em Porto Alegre, alguns anos atrás.
Era uma Sexta-feira Santa. Eu estava em casa, na Cidade Baixa.
Telefone.
- Oi, Adri! Vamos comigo na missa? Faz tempo que não vou...
- Tá, tudo bem, vou contigo.
Roci, minha amiga cearense que também morava no Rio Grande naqueles dias, passaria em quinze minutos pra me buscar. E passou.
Centro de Porto. Estacionamos na Duque de Caxias, do ladinho do Palácio Piratini, eram perto das seis da tarde.
Sucedeu que naquele dia um ex-governador gaúcho era velado justo ali, no Palácio. E sucedeu também que bem na hora em que estávamos por passar pela frente da porta do Piratini despontou o caixão, carregado por senhores distintíssimos que não vem ao caso mencionar. Como talvez dissesse Machado de Assis, o leitor e a leitora que me desculpem, mas falta não há de fazer deixar de nomeá-los.
Fomos barradas pelos seguranças. Deixem o morto passar, e também os muito vivos que carregam seu peso. Podíamos ter contornado a Praça da Matriz, bem volteando em frente da Assembléia Legislativa e do Teatro São Pedro. Mas não, ficamos ali, bisbilhotando o cortejo fúnebre.
Passados alguns minutos, do morto só o cheiro das velas. Embalamos passos largos até a Catedral, pensando-nos atrasadas para qualquer missa a caminho; mas sem deixar, é claro, de confabular sobre os trejeitos de cada um dos que seguravam as alças. Só não falamos do morto, de quem sequer vimos a brancura funesta.
Entramos na Catedral. Vazia! Eu me sentei bem ao fundo, que Ave Maria bem rezada, ali no cantinho, já estava para mim de ótimo tamanho. Roci não contentou. Andou até perto do altar e ficou se espichando para tentar ver o que passava no meio de um bolinho de gente que ali se espremia. Baixinha como esta que vos escreve, viu pouca coisa. Mas o que viu, veio me contar:
- Ô, Adri, tu não vai acreditar! Outro velório! Vamos pra uma igreja que tenha missa, pelamordedeus!
Saímos. Nas escadarias, demos de cara com um padre, bem vestido de padre, e uma freira, da mesma forma nos moldes para a ocasião. Roci não aguentou:
- Ô, Seu Padre, boa tarde... Que horas é a missa?
- É sete horas, minha filha...
- Ah, tá certo...E me diga uma coisa, por favor, quem é o morto ali de dentro?
O Padre ficou branquinho que só. A freira só não fez o sinal da cruz por pura piedade de nós.
- Minha filha, aquela ali é a estátua do Senhor Morto! Hoje é Sexta-feria Santa!
A Roci, que perde o lugar no céu, mas não a piada:
- Ô, Seu Padre, que beleza, ãh...Hoje só tem defunto bom!!! Ali ex-governador, aqui Jesus Cristo! Vou te dizer, hoje só a diretoria!
Eu sai de fininho, nem vi a cara do padre. Ela veio atrás. Nem fomos mais na missa. Decidimos ir pra Cidade Baixa tomar uma cerveja. Afinal, não é todos os dias que se vai ao velório de Jesus Cristo e de um ex-governador numa tacada só.
Tuesday, September 22, 2009
A I Mostra Nacional de Documentários de Chapecó começa hoje.
Parabéns ao povo que pensa e produz cinema por lá. Muito bacana!
Friday, September 11, 2009
Regininha Carvalho blogando novamente no Grandes Autores Catarinenses
Ela explica: Para divulgar alguns textos de autores da terrinha, vivos e mortos, sem preocupação em sistematizar, só em divulgar o que é bom...
Passa lá, entonces!
Tuesday, September 01, 2009
Monday, August 31, 2009
Saturday, August 29, 2009
[sonho]
Saturday, August 22, 2009

E o primeiro desenho que você me deu!
Neste domingo, 23 de agosto, você faz nove anos e eu tenho que te agradecer por muitas coisas. Vou fazer uma listinha, assim, daquilo que me vem na cabeça agora. Sim, pois a lista será sempre, sempre infinita. Assim como você, que já nasceu infinitamente doce e amada.
Lá vai a listinha.
Obrigada por:
*ser tão companheira e compreensiva, todos os dias e noites;
*ser tão solidária e fraterna, sempre;
*ser tão capaz de entender os outros, com teu espírito tão evoluído e tua enorme capacidade de discernimento;
*amar tanto as pessoas, se preocupar com elas, sem olhar diferenças;
*escrever histórias tão bonitas;
*gostar tanto de música e me chamar pra ouvir as novas canções que você tira no piano;
*me deixar tão orgulhosa com seu empenho na escola;
*amar tanto os bichinhos perdidos nas ruas (juro que, se a mãe pudesse, traria todos pra nossa casa...);
*desenhar coisas tão lindas e me dar os desenhos de presente (desde bem pequena você me dá desenhos lindos!);
*me ensinar tantas coisas que nem sei dizer;
*me fazer rir e rir comigo de tantas coisas simples e cotidianas, como os “cocozitos” que ‘enfeitam’ a nossa rua todo final de tarde (já rebatizamos a nossa rua, que se chamava Procópio, de “ProCOCÓpio”, né?);
*dormir tão lindinho de manhã (adoro te ver dormindo, tão querida...e depois de te acordar, te ouvir dizer: “Poxa, mãe! Me acordou no meio do melhor sonho da minha vida!”);
*me corrigir quando canto errado (sim, você tem razão, eu sou desafinada e não sei o “tempo” das músicas...);
*não conseguir dormir sem me dar um beijinho;
*secar a louça, mesmo que em prestações;
*saber perdoar e pedir perdão (você é mestre nisso, Ami!);
*torcer por mim e pelos meus projetos;
*amar tanto o seu pai;
*amar e respeitar tanto os seus avós;
*tentar comer o que não gosta e ter sempre vontade de provar o desconhecido (tá, já entendi, com peixe eu não forço mais, ok?);
*comprar presente pra mim com seu dinheirinho;
*gostar de Mutantes, Rita Lee, Paulinho da Viola, Amy, Beatles (tu tens bom gosto, neguinha!);
*andar comigo pra todo lado, mudando de cidade, fazendo amigos (quando você era menor, lá pelos quatro anos, no parquinho de diversões, você dizia: “Mãe, vou ali ‘criar’ uns amiguinhos!”);
*deixar tantas marcas bonitas por onde passa;
*ler para a Nilza e ajudá-la a se preparar para o vestibular;
*ser uma baita companheira de viagem;
*ser a blogueira mais fofa que eu conheço;
*ser corajosa e valente;
*me fazer acreditar na vida, em todos os momentos;
*ser tão sincera, sempre!
Ami, filha: te amo mais que tudo, mais até que bala de banana!!!
Feliz Aniversário!
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Tio Nego!
Este domingo também é dia de parabéns para o meu amigo-irmão Vladimir, o tio Nego. Quis o destino que naquele 23 de agosto de 2000, quando você nasceu, fosse o tio Nego que nos levasse correndo pro Hospital Mãe de Deus, lá em Porto Alegre! Você não lembra, claro, mas o destino foi muito feliz!! Que lindo, não é?
Beijo enorme e todo o nosso carinho pra ti, tio Nego!
Feliz Aniversário!
Wednesday, August 19, 2009
Fifo Lima colocou o Cine Luz na rede novamente. Informações sobre o cinema catarinense, críticas e notícias do mundo da sétima arte. Ele promete tudo isso e muito mais! Bacana, Fifo!
Monday, August 17, 2009
Os amigos queridos de Chapecó, Ilka e Miro, estão contando num blog o percurso de produção do documentário Celibato no campo, vencedor do Prêmio Cinemateca Catarinense 2008.
Eles contam lá no blog:
"A intensa migração de jovens filhos de agricultores para as cidades, sobretudo de jovens mulheres, que saem para estudar e dificilmente retornam às propriedades rurais, faz surgir um novo fenômeno social: o celibato masculino no campo. O documentário vai abordar as razões do aparecimento deste fenômeno que se configura como a masculinização do campo e que tem como conseqüência a diminuição do número de casamentos e o envelhecimento no meio rural. A proposta é mostrar que a masculinização e o celibato no campo não podem ser encarados como decorrência natural do processo de desenvolvimento e que o atual modelo da agricultura familiar se apresenta como um dos principais fatores de expulsão das mulheres do campo".
Ilka e Miro, além de experientes e talentosos, sabem ouvir com atenção e respeito as histórias humanas [demasiado humanas!].
Espero ansiosa pelo doc!
Saturday, August 15, 2009
Vinha do centro pra Trindade. Ônibus quase cheio. Estava sentada perto da porta bem do fundo. De repente, dois bancos atrás de mim, uma senhora espirrou.
(sobe música de suspense e vai a bg)
Imediatamente, várias pessoas da frente olharam pro fundão. Eu fiquei paralisada, no meio do fogo cruzado. Os olhares me tocavam também. Imaginem um 'paredón, señores'!
Pensa rápido, Adri!
Olho também? Bah, mas é chato com quem espirrou, ninguém tem culpa por espirrar, pelamordedeus! Saio em defesa da pobre mulher? Não, melhor ficar na minha...
Tá, mas e se o resto do ônibus achar estranho SÓ EU não olhar. Sei lá, eu podia ser detida e julgada como cúmplice de uma tentativa de ataque viral em massa. Sem um espirrinho sequer, os EUA detonaram o Iraque e mandaram o Saddam pras cucuias... E ali, no ônibus, havia testemunhas do espirro, havia provas do atentado...Aí, como diria um filósofo amigo meu, que aliás não sei por onde anda: "é caixão pro Billy".
Estátua!
Não sei como era a mulher, que cara tinha: se era loira ou ruiva ou alta ou magra ou se tinha alguma ligação com um braço manezinho da Al-Qaeda.
Se algum vírus da gripe porquinha me atingiu pela retaguarda, também não sei. Já faz uns quatro dias e está tudo bem, fora uma cãimbra nos dedos do pé direito - atribuída muito mais à idade que a uma possível contaminação viral.
Quando o ônibus parou no terminal, desci e andei ligeirinho, sem olhar pra trás.
Thursday, August 13, 2009
Amanda e Helena, ambas com 8 anos, assistindo dvd dos Jetsons:
- Nossa, será que o futuro vai ser assim?
[E pensar que este futuro já foi meu...]



