Republicando [conversa com Amanda, de janeiro de 2007)
Sobre o céu
Eu e Amanda voltamos de Florianópolis pra Chapecó de avião, no domingo passado, dia 7 de janeiro. A Gol tem umas promoções boas e até o povo do Old West agora tem vez nos céus catarinenses. E o céu estava lindão. Azul com nuvens branquinhas, branquinhas.
Amanda:
- Mãe, é assim que é o céu?
Eu:
- É, estamos no céu. Que lindo, né? Parece que estamos num sonho!
Amanda:
- Mãe, me conta a verdade?
Eu:
- Que verdade, filha?
Amanda:
- Sobre o céu, ué. Você sabe toda a verdade sobre o céu?
Eu:
- Só sei que é bonito, olha ali que lindo, tão azulzinho!
Amanda:
- A vovó disse que a gente fica invisível quando vai pro céu. Eu não quero ficar invisível. Queria brincar assim, como sou!
Eu:
- Mas estamos no céu e estamos brincando de sonhar no meio das nuvens!
Amanda:
- É, pode ser. Mas acho que ainda não sei toda a verdade sobre o céu. A vovó deve saber. Um dia ela me conta.
Tuesday, September 30, 2008
Thursday, September 11, 2008
De fraternidades
Andava a passos rápidos. Queria comprar flores. Tinha pressa. Quase corria, na verdade. Quase corria. Não fosse assim, perderia o enterro do irmão.
Álvaro era, antes de tudo, seu irmão. Sim, seu. Mesmo que se perdesse entre os seis que a vida impusera, era ele o mais irmão.
Corria, quase. Não fosse assim, perderia o enterro do irmão.
Álvaro crescera entre cuidados, nascido frágil, de sete meses. Puxava-o, anos a fio, ele sentado no carrinho de madeira. Adorava. Foi até os 8 anos de Álvaro. Seus 11.
Corria. Talvez comprasse lírios.
Na adolescência de Álvaro, faltou-lhes a mãe. Cada irmão seguiu caminho. Álvaro ficou com a avó. Lembrava-lhe o choro na despedida.
Doiam-lhe os pés, a esta altura. Quase sem fôlego, dobrou a esquina. Encontrou aberta a floricultura. Sentiu frio.
Andava a passos rápidos. Queria comprar flores. Tinha pressa. Quase corria, na verdade. Quase corria. Não fosse assim, perderia o enterro do irmão.
Álvaro era, antes de tudo, seu irmão. Sim, seu. Mesmo que se perdesse entre os seis que a vida impusera, era ele o mais irmão.
Corria, quase. Não fosse assim, perderia o enterro do irmão.
Álvaro crescera entre cuidados, nascido frágil, de sete meses. Puxava-o, anos a fio, ele sentado no carrinho de madeira. Adorava. Foi até os 8 anos de Álvaro. Seus 11.
Corria. Talvez comprasse lírios.
Na adolescência de Álvaro, faltou-lhes a mãe. Cada irmão seguiu caminho. Álvaro ficou com a avó. Lembrava-lhe o choro na despedida.
Doiam-lhe os pés, a esta altura. Quase sem fôlego, dobrou a esquina. Encontrou aberta a floricultura. Sentiu frio.
Tuesday, September 09, 2008
Thursday, September 04, 2008
Depois de quase tudo
Oito meses, quatro dias, três horas e cinco minutos. Ela contava o tempo a partir do fim. Era como se, depois daquele adeus, a vida tivesse realmente começado. Ela havia decidido assim. E estava dando certo. Estava.
Foi na esquina da padaria. Um lugar qualquer, num momento qualquer, final de tarde, depois de tudo. A respiração começou a se alterar, do nada. Estranho, suava, de repente. Colocou a mão no peito: coração batia descompassado. Chorou.
Pequena lembrança, mínima, atravessara-lhe a mente. Teria que recomeçar a contagem.
Oito meses, quatro dias, três horas e cinco minutos. Ela contava o tempo a partir do fim. Era como se, depois daquele adeus, a vida tivesse realmente começado. Ela havia decidido assim. E estava dando certo. Estava.
Foi na esquina da padaria. Um lugar qualquer, num momento qualquer, final de tarde, depois de tudo. A respiração começou a se alterar, do nada. Estranho, suava, de repente. Colocou a mão no peito: coração batia descompassado. Chorou.
Pequena lembrança, mínima, atravessara-lhe a mente. Teria que recomeçar a contagem.
Saturday, August 23, 2008
Sunday, August 03, 2008
Republicando:
Da série Escritos
(1)
Sobre Paris (duas ou três considerações, de rua ou de sonho)
Adriane Canan (abril de 2002 - Sur-Marne)
Os pés em Paris/Negros como o breu da noite/ Os pés em Paris/ Panos coloridos como um sábado/ Os pés em Paris/ Negros olhos transfigurados num ocidente antropófago/O menino é romeno, chora na mão pelo dinheiro que pede/ Chora a mãe no ventre pelos filhos que carrega/ Choram os pés em Paris/ (Barulho do metrô) /Silêncio nas ruas sepultadas de história/ O peso da cultura nos olhos absortos do intelectual/ E a bicha velha que importa o corpo-menino-asiático por pão e sexo/ O rio gelado e os turistas medíocres que posam de ricos ao som de Edith Piaf/ Os grandes pintores pendurados nas paredes do Louvre/ (Barulho de passos no corredor)/ Arte vale muito?/ A Torre Eiffel e os souvenirs de pobre/ A Place Vendome e a morte da nobre-plebéia-donzela-prostituta que trepava com o milionário egípcio/ Armani,Mont Blanc/ O homem aluga o menino para pedir esmolas/Os pés em Paris/ (Sonho com o Pablo)/ As escadarias de Nogent-Sur-Marne e a tranquilidade na casa da Irina/ As putas-travestis-argelinas do Kadet/ Fotos pra ficar na festa/Os olhos azuis da Lara percorrem a escola de artes/ E a alemã ex-comunista foi para os Estados Unidos do World Trade Center/ (Penso na Amanda)/ O português arrota arrogância e come seus próprios eus/ As baianas são negras como os negros da Estação Les Halles/ Os andinos não recebem palmas/ Os judeus fazem doces no Mares e jogam bombas nos palestinos/ Enquanto o Mc Donalds de Paris tem cabelo no Big Mac/ A França vota numa eleição silenciosa como a morte/Sem pombos/ Uma capa de chuva verde-limão e um dia livre para compras em Paris/ Pausa.
Da série Escritos
(1)
Sobre Paris (duas ou três considerações, de rua ou de sonho)
Adriane Canan (abril de 2002 - Sur-Marne)
Os pés em Paris/Negros como o breu da noite/ Os pés em Paris/ Panos coloridos como um sábado/ Os pés em Paris/ Negros olhos transfigurados num ocidente antropófago/O menino é romeno, chora na mão pelo dinheiro que pede/ Chora a mãe no ventre pelos filhos que carrega/ Choram os pés em Paris/ (Barulho do metrô) /Silêncio nas ruas sepultadas de história/ O peso da cultura nos olhos absortos do intelectual/ E a bicha velha que importa o corpo-menino-asiático por pão e sexo/ O rio gelado e os turistas medíocres que posam de ricos ao som de Edith Piaf/ Os grandes pintores pendurados nas paredes do Louvre/ (Barulho de passos no corredor)/ Arte vale muito?/ A Torre Eiffel e os souvenirs de pobre/ A Place Vendome e a morte da nobre-plebéia-donzela-prostituta que trepava com o milionário egípcio/ Armani,Mont Blanc/ O homem aluga o menino para pedir esmolas/Os pés em Paris/ (Sonho com o Pablo)/ As escadarias de Nogent-Sur-Marne e a tranquilidade na casa da Irina/ As putas-travestis-argelinas do Kadet/ Fotos pra ficar na festa/Os olhos azuis da Lara percorrem a escola de artes/ E a alemã ex-comunista foi para os Estados Unidos do World Trade Center/ (Penso na Amanda)/ O português arrota arrogância e come seus próprios eus/ As baianas são negras como os negros da Estação Les Halles/ Os andinos não recebem palmas/ Os judeus fazem doces no Mares e jogam bombas nos palestinos/ Enquanto o Mc Donalds de Paris tem cabelo no Big Mac/ A França vota numa eleição silenciosa como a morte/Sem pombos/ Uma capa de chuva verde-limão e um dia livre para compras em Paris/ Pausa.
Wednesday, July 16, 2008
De pertencimentos
Adriane Canan
Epifânia sempre foi mulher de posses. Anote-se: um fusca amarelo, ano 67 - que ela guarda envolto numa capa de pano marrom, um papagaio rouco, três sacolas de feira bordadas à mão, dois jogos de louça bem bonita, sete toalhas de prato pintadas para cada dia da semana, uma casa de madeira, anos 50, silenciosa, encolhida entre dois prédios do centro da cidade, e um suspiro inacabado, preso no fundo do peito.
A verdade é que pouco importa para a história saber o que Epifânia possui. Por direta oposição, nos interessa aquilo que falta. E se o que tem já está listado, apontemos, então, o que ficou vazio. Anote-se: o lado direito de uma cama de casal herdada dos pais, falecidos há 30 anos, quando ela beirava os 45, o lado esquerdo de um armário de madeira com prateleiras, cabideiro para roupas e chapéu, espaço para três pares de sapato, e um bom dia amor numa manhã de inverno.
É tudo.
Adriane Canan
Epifânia sempre foi mulher de posses. Anote-se: um fusca amarelo, ano 67 - que ela guarda envolto numa capa de pano marrom, um papagaio rouco, três sacolas de feira bordadas à mão, dois jogos de louça bem bonita, sete toalhas de prato pintadas para cada dia da semana, uma casa de madeira, anos 50, silenciosa, encolhida entre dois prédios do centro da cidade, e um suspiro inacabado, preso no fundo do peito.
A verdade é que pouco importa para a história saber o que Epifânia possui. Por direta oposição, nos interessa aquilo que falta. E se o que tem já está listado, apontemos, então, o que ficou vazio. Anote-se: o lado direito de uma cama de casal herdada dos pais, falecidos há 30 anos, quando ela beirava os 45, o lado esquerdo de um armário de madeira com prateleiras, cabideiro para roupas e chapéu, espaço para três pares de sapato, e um bom dia amor numa manhã de inverno.
É tudo.
Thursday, June 26, 2008
Friday, June 06, 2008
"El Viaje"
Schwenke y Nilo
Señores denme permiso
pa'decirles que no creo
lo que dicen las noticias
lo que cuentan en los diarios
lo que entiendo por miseria
lo que digo por justicia
lo que entiendo por cantante
lo que digo a cada instante
lo que dejo en el pasado
las historias que he contado
o algún odio arrepentido.
Para que ustedes no esperen
que mi canto tenga risa
para que mi vida entera
les quede al descubierto
para que sepan que miento
como lo hacen los poetas
que por amarse a sí mismos
su vida es un gran concierto
déjenme decirles esto
que me aprieta la camisa
cuando me escondo por dentro.
Y si alguno quiere risa
tiene que volver la vista
ir mirando las vitrinas
que adornan las poblaciones
o mirar hacia la calle
donde juegan esos niños
a pedir monedas de hambre
aspirando pegamento
pa' calmar tanto tormento
que les da la economía
cierto que da risa...
Pero yo creo que saben
donde duermen esos niños
congelados en el frío
tendidos al pavimento
colgando de las cornisas
comiéndose a la justicia
para darle tiempo al diario
que se ocupe del deporte
para distraer la mente
para desviar la vista
De este viaje
Por nuestra historia
Por los conceptos...
Por el paisaje...
Schwenke y Nilo
Señores denme permiso
pa'decirles que no creo
lo que dicen las noticias
lo que cuentan en los diarios
lo que entiendo por miseria
lo que digo por justicia
lo que entiendo por cantante
lo que digo a cada instante
lo que dejo en el pasado
las historias que he contado
o algún odio arrepentido.
Para que ustedes no esperen
que mi canto tenga risa
para que mi vida entera
les quede al descubierto
para que sepan que miento
como lo hacen los poetas
que por amarse a sí mismos
su vida es un gran concierto
déjenme decirles esto
que me aprieta la camisa
cuando me escondo por dentro.
Y si alguno quiere risa
tiene que volver la vista
ir mirando las vitrinas
que adornan las poblaciones
o mirar hacia la calle
donde juegan esos niños
a pedir monedas de hambre
aspirando pegamento
pa' calmar tanto tormento
que les da la economía
cierto que da risa...
Pero yo creo que saben
donde duermen esos niños
congelados en el frío
tendidos al pavimento
colgando de las cornisas
comiéndose a la justicia
para darle tiempo al diario
que se ocupe del deporte
para distraer la mente
para desviar la vista
De este viaje
Por nuestra historia
Por los conceptos...
Por el paisaje...
Monday, May 19, 2008
12 Segundos de Oscuridad
Jorge DrexlerGira el haz de luz
para que se vea desde alta mar.
Yo buscaba el rumbo de regreso
sin quererlo encontrar.
Pie detrás de pie
iba tras el pulso de claridad
la noche cerrada, apenas se abría,
se volvía a cerrar.
Un faro quieto nada sería
guía, mientras no deje de girar
no es la luz lo que importa en verdad
son los 12 segundos de oscuridad.
Para que se vea desde alta mar...
De poco le sirve al navegante
que no sepa esperar.
Pie detrás de pie
no hay otra manera de caminar
la noche del Cabo
revelada en un inmenso radar.Un faro para, sólo de día,
guía, mientras no deje de girar
no es la luz lo que importa en verdad
son los 12 segundos de oscuridad.
Thursday, May 15, 2008
A arte de ser feliz
Já anoitecia. Um ônibus urbano lotado e a hora de voltar para casa. Mãe e filha voltavam, juntas. A mãe levava a pequena, quase três anos, sentada ao colo, agarradinhas que estavam depois de um dia inteiro separadas: uma no trabalho, outra na escola.
Ela apareceu de repente, enorme: - Mãe, olha! – gritou a menina. O dedinho apontava o céu atrás dos prédios: – É a lua!
Riram alto de tanta beleza e luz. E divertiram-se olhando e acenando.
Ponto 38. Cordinha. Sinal de parada. Licença, licença. Desceram.
Já na calçada, a menina-filha se desespera. Rosto lívido, aponta o ônibus já arrancando e seguindo rumo. Grita, outra vez: - Mãe, a lua?
Pavor.
Depois do beijo quase eterno na mãozinha que treme a perda, a mãe aponta o céu.
A pequena sorri e abraça a mãe, com o suspiro-paz das coisas que permanecem.
Já anoitecia. Um ônibus urbano lotado e a hora de voltar para casa. Mãe e filha voltavam, juntas. A mãe levava a pequena, quase três anos, sentada ao colo, agarradinhas que estavam depois de um dia inteiro separadas: uma no trabalho, outra na escola.
Ela apareceu de repente, enorme: - Mãe, olha! – gritou a menina. O dedinho apontava o céu atrás dos prédios: – É a lua!
Riram alto de tanta beleza e luz. E divertiram-se olhando e acenando.
Ponto 38. Cordinha. Sinal de parada. Licença, licença. Desceram.
Já na calçada, a menina-filha se desespera. Rosto lívido, aponta o ônibus já arrancando e seguindo rumo. Grita, outra vez: - Mãe, a lua?
Pavor.
Depois do beijo quase eterno na mãozinha que treme a perda, a mãe aponta o céu.
A pequena sorri e abraça a mãe, com o suspiro-paz das coisas que permanecem.
Saturday, May 10, 2008
Do blog do Pedro Almodóvar (sobre viagens e blogues):
MI FILOSOFIA DEL DESPLAZAMIENTO
Cada vez que me levanto para salir de viaje siento una necesidad irresistible de quedarme en casa. Como si cada viaje significara el final de una etapa de mi vida, que el viaje convierte en pérdida irreparable. No importa que la razón del viaje sea placentera y lúdica. Esta sensación, mezcla de fracaso, melancolía y nostalgia anticipada, me acompaña siempre que salgo de viaje.
Camino del aeropuerto de Torrejón voy leyendo El País y Les Inrocks. Y siento una repentina y urgente necesidad de leer todos los libros que aparecen reseñados en el suplemento literario Babelia, (“El asombroso viaje de Pomponio Flato”, de Eduardo Mendoza, “Dios no es bueno” de Christopher Hitchens,... etc.) ver todos los espectáculos que recomienda, comprar todos los discos que me atraen a primera vista en Les Inrocks, escucharlos todos, y seleccionar los que me seducen de inmediato.
Cada vez que voy camino de un aeropuerto creo que estoy abandonando mi propia vida, y que voy a la deriva. Cuando llego al aeropuerto empiezo a tomar las primeras notas, acompañado por la agradable presencia de las Esclavas del Deseo (Bárbara Peiró, mi Intermediaria con el Mundo Exterior, Lola García, Responsable de Asuntos Internos, Esther García, Directora de Producción de El Deseo) mi hermano Agustín, su mujer Casilda y un torbellino llamada Bibiana, que llega arrebatada a causa de su apretadísima agenda monegasca. Además de los múltiples actos oficiales ella tiene su propio programa, sus propios programas, quiero decir, que incluyen “el Programa de Ana Rosa”, alguna revista de moda y algún programa de radio. Por su parte, Boris Izaguirre viene pisándonos los talones, por amistad, implicación emocional y por la exclusiva que ha acordado con el semanario “Hola” para escribir la crónica del evento, a dos palmos de sus protagonistas.
Los Alaska-Vaquerizo verterán sus experiencias en su recién nacido blog, y yo, como Vds. están viendo, hago lo propio con el mío.Le comento a Bibi mi extrañeza ante tal acumulación de cronistas. ¿No nos estamos pasando yendo de Emperadores de la Movida y multiplicándonos a la vez en cronistas exhaustivos de nosotros mismos? ¿No hay algo depredador respecto a sus serenas altezas monegascas, inconscientes de lo que se les viene encima?Tengo la impresión de que estamos saltándonos una etapa en el proceso natural de “vivir para contarlo”.
Me vienen a la memoria los primeros tiempos del periodismo-ficción, cuando Truman Capote formaba parte del equipaje de los Rolling Stones en su gira rusa, allá por los años 70.
Pasando por alto que ninguno de nosotros posee un gramo del talento de Capote, no sé si me parece buena idea que, en un exceso de entusiasmo, nos hayamos convertido en nuestros propios Capotes.
MI FILOSOFIA DEL DESPLAZAMIENTO
Cada vez que me levanto para salir de viaje siento una necesidad irresistible de quedarme en casa. Como si cada viaje significara el final de una etapa de mi vida, que el viaje convierte en pérdida irreparable. No importa que la razón del viaje sea placentera y lúdica. Esta sensación, mezcla de fracaso, melancolía y nostalgia anticipada, me acompaña siempre que salgo de viaje.
Camino del aeropuerto de Torrejón voy leyendo El País y Les Inrocks. Y siento una repentina y urgente necesidad de leer todos los libros que aparecen reseñados en el suplemento literario Babelia, (“El asombroso viaje de Pomponio Flato”, de Eduardo Mendoza, “Dios no es bueno” de Christopher Hitchens,... etc.) ver todos los espectáculos que recomienda, comprar todos los discos que me atraen a primera vista en Les Inrocks, escucharlos todos, y seleccionar los que me seducen de inmediato.
Cada vez que voy camino de un aeropuerto creo que estoy abandonando mi propia vida, y que voy a la deriva. Cuando llego al aeropuerto empiezo a tomar las primeras notas, acompañado por la agradable presencia de las Esclavas del Deseo (Bárbara Peiró, mi Intermediaria con el Mundo Exterior, Lola García, Responsable de Asuntos Internos, Esther García, Directora de Producción de El Deseo) mi hermano Agustín, su mujer Casilda y un torbellino llamada Bibiana, que llega arrebatada a causa de su apretadísima agenda monegasca. Además de los múltiples actos oficiales ella tiene su propio programa, sus propios programas, quiero decir, que incluyen “el Programa de Ana Rosa”, alguna revista de moda y algún programa de radio. Por su parte, Boris Izaguirre viene pisándonos los talones, por amistad, implicación emocional y por la exclusiva que ha acordado con el semanario “Hola” para escribir la crónica del evento, a dos palmos de sus protagonistas.
Los Alaska-Vaquerizo verterán sus experiencias en su recién nacido blog, y yo, como Vds. están viendo, hago lo propio con el mío.Le comento a Bibi mi extrañeza ante tal acumulación de cronistas. ¿No nos estamos pasando yendo de Emperadores de la Movida y multiplicándonos a la vez en cronistas exhaustivos de nosotros mismos? ¿No hay algo depredador respecto a sus serenas altezas monegascas, inconscientes de lo que se les viene encima?Tengo la impresión de que estamos saltándonos una etapa en el proceso natural de “vivir para contarlo”.
Me vienen a la memoria los primeros tiempos del periodismo-ficción, cuando Truman Capote formaba parte del equipaje de los Rolling Stones en su gira rusa, allá por los años 70.
Pasando por alto que ninguno de nosotros posee un gramo del talento de Capote, no sé si me parece buena idea que, en un exceso de entusiasmo, nos hayamos convertido en nuestros propios Capotes.
Thursday, May 01, 2008

Estou trabalhando na divulgação da Mostra de Cinema Infantil, que acontece de 27 de junho a 13 de julho em Floripa. Fiquem de olho aí, amigos do cinema, as inscrições foram prorrogadas até 10 de maio. Tem produção pra inscrever? Clica aqui.
Tuesday, April 29, 2008

Hoje, às 19 horas, no hall da Reitoria da UFSC, tem lançamento do livro "O novo conto catarina", coletânea organizada pela querida professora Regina Carvalho.
O amigo Dauro Veras tem conto no livro. E é dos bons: Pura Sorte.
Vamos prestigiar.
O amigo Dauro Veras tem conto no livro. E é dos bons: Pura Sorte.
Vamos prestigiar.
Wednesday, April 23, 2008
Wednesday, April 09, 2008
La soledad
(Pablo Milanés)
Es un pájaro grande multicolor
Que ya no tiene alas para volar
Y cada nuevo intento da más
Dolor.
La soledad
Anida en la garganta para esperar
El grito que se arranca con su
Cantar cuando llega el silencio
Del desamor.
La soledad
A veces tiene ganas de acompañar
El rostro que recuerda mal
Aquel amor que nunca fue para
Soñar.
La soledad
Inventa la más bella aparición
Remueve los rincones del corazón
Para quedarse sola la soledad...
Con su niñez
Su mocedad
Con su vejez
Para llorar
Para morir
En soledad...
(Pablo Milanés)
Es un pájaro grande multicolor
Que ya no tiene alas para volar
Y cada nuevo intento da más
Dolor.
La soledad
Anida en la garganta para esperar
El grito que se arranca con su
Cantar cuando llega el silencio
Del desamor.
La soledad
A veces tiene ganas de acompañar
El rostro que recuerda mal
Aquel amor que nunca fue para
Soñar.
La soledad
Inventa la más bella aparición
Remueve los rincones del corazón
Para quedarse sola la soledad...
Con su niñez
Su mocedad
Con su vejez
Para llorar
Para morir
En soledad...
Thursday, April 03, 2008
Solidariedade
Estamos numa campanha por votos no vídeo de nossa amiga Nilza, numa promoção da Jovem Pan, para ganhar um apartamento. Nilza é uma grande mulher, uma batalhadora, que não deixa a deficiência visual ser limite para sua independência. Mora sozinha, trabalha 12 horas por dia, paga aluguel e toca a vida. É minha vizinha, aqui em Florianópolis.
Vai lá: clique aqui
Assista. Depois, clique nas estrelinhas que aparecem ao lado (de preferência nas cinco). Preencha seus dados, confirme o código de segurança e vote. Você vai receber no seu e-mail uma mensagem de confirmação. Acesse e confirme, só assim o voto será computado.
Avise os amigos e amigas! Os dez mais votados serão finalistas!
A Nilza conta com a gente!
Estamos numa campanha por votos no vídeo de nossa amiga Nilza, numa promoção da Jovem Pan, para ganhar um apartamento. Nilza é uma grande mulher, uma batalhadora, que não deixa a deficiência visual ser limite para sua independência. Mora sozinha, trabalha 12 horas por dia, paga aluguel e toca a vida. É minha vizinha, aqui em Florianópolis.
Vai lá: clique aqui
Assista. Depois, clique nas estrelinhas que aparecem ao lado (de preferência nas cinco). Preencha seus dados, confirme o código de segurança e vote. Você vai receber no seu e-mail uma mensagem de confirmação. Acesse e confirme, só assim o voto será computado.
Avise os amigos e amigas! Os dez mais votados serão finalistas!
A Nilza conta com a gente!
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