Monday, June 25, 2007


Arte: Gustavo de Souza

Brasil Plural 10 abre inscrições!

Atenção, curta-metragistas: entrem no site do Brasil Plural e participem!
O blog da edição anterior do festival é http://blog.brasilplural.org/

Friday, June 22, 2007

Memória dos pequenos sabores da infância contra o maldito esquecimento inesperado
Adriane Canan (08/11/2006)

Me lembro bem: as plantinhas ficavam bem do ladinho da nossa casa. Eram pequenas. E não eram muitas. Havia uma época do ano em que, ao sair de casa para ir pra escola, bem cedinho da manhã, eu tinha a impressão de que elas falavam comigo. Eram tomateiros. Mas não eram grandes tomateiros. Eram pequeninos. De tomates pequeninos. Umas bolinhas verdes que iam crescendo pouquinho por dia. Pouquinho por dia, pouquinho por dia. Que nem eu, que era criança de interior. Crescia pouquinho por dia. Daí chegava um dia que os tomatinhos ficavam vermelhos. E o cheiro suave deles tomava conta do caminho para a escola. Eu sentia de longe. Era bom. Daí eu chegava em casa, largava as coisas e ia colher os tomatinhos. A mãe mandava lavar. E eu comia devagar, com sal, um tantinho de sal. Demorava. Adorava o gosto daqueles tomatinhos.Depois esqueci dos tomatinhos por longo tempo. O tempo do esquecimento.Daí hoje pensei neles e senti seu cheiro forte. Olhei minhas mãos e lá estavam eles, madurinhos, vermelhos, prontos para serem lavados e comidos. Eu recém chegada da aula da terceira série. A mãe chamando para o almoço. Cheirei minhas mãos com paciência e apaguei os anos de esquecimento.

Publicado antes em: Remix Narrativo

Monday, June 18, 2007

I'm looking for love.

Saturday, June 16, 2007



Carlos Sorín me faz sorrir e ter esperança, sempre. Que maneira de contar uma história! Que maestria em dar aos personagens a simplicidade e a complexidade toda da vida ao mesmo tempo. E que atores! E que 'não-atores', pois que gosta de trabalhar com 'pessoas comuns'.
Com Histórias Mínimas, filme que vi em Porto Alegre, há alguns anos, me senti perdida por muito tempo (ainda me sinto, na verdade). Daí ele me pegou de vez com Bombón, el perro.



Friday, June 15, 2007


Na foto e nas palavras de Sílvia Pavesi: "montaña de colores revela todos os tons dos desertos bolivianos".

Deu vontade de viajar pela América Latina? Então pegue carona com os jornalistas Eumano Silva e Sílvia Pavesi. A foto aí de cima já é um grande convite! Visite o blog Fotos&Fronteiras e boa viagem!
Todo se transforma
(Jorge Drexler)

Tu beso se hizo calor,
luego el calor movimiento,
luego gota de sudor,
que se hizo vapor, luego viento
que en un ricón de La Rioja
movió el aspa de un molino
mientras se pisaba el vino
que bebió tu boca roja.
Tu boca roja en la mia,
la copa que gira en mi mano,
y mientras el vino caía
supe que de algún lejano
ricón de otra galáxia,
el amor que me darías,
transformado, volveria
un día a darte las gracias.
Cada uno dá, lo que recibe / y luego recibe lo que dá,/ nada és más simple,/ no hay otra norma:/ nada se pierde,/ todo se transforma.
El vino que pagué yo,
con aquel euro italiano
que había estado en un vagón
antes de estar en mi mano,
y antes de eso en Torino,
y antes de Torino, en Prato, onde hicieron mi zapato
sobre el que caería el vino.
Zapato que en unas horas, buscaré bajo tu cama
con las luces de la aurora,
junto a tus sandalias planas
que compraste aquella vez
en Salvador de Bahia,
donde a otro diste el amor
que hoy yo te devolvería...
Cada uno dá lo que recibe / y luego recibe lo que dá, / nada es más simple,/ no hay otra norma: / nada se pierde, / todo se transforma...

Wednesday, May 30, 2007

Tuesday, May 22, 2007

esclarecimento
dialético

Thursday, May 10, 2007

Das coisas que ficam para sempre

Publico, abaixo, um artigo da Valci Zuculoto e do Eduardo Meditsch, meus queridos professores do Curso de Jornalismo da UFSC. Fui uma das primeiras bolsistas do Universidade Aberta, lá no início dos anos 90. Foi uma experiência linda e importante para toda a minha vida profissional até agora. Lamento o fim do projeto. Lamento muito. Todos os que fizeram parte desta história, com certeza, sabem que o UA é daquelas coisas que ficam para sempre em nossos corações e mentes. Sementes foram plantadas, queridos professores! A luta continua!

------------------------------------------------------

Últimas notícias do Unaberta

Valci Zuculoto e Eduardo Meditsch
Professores do Curso de Jornalismo da UFSC

Na Semana de Ensino, Pesquisa e Extensão de 2007, a comunidade universitária da UFSC vai notar que perdeu um dos seus principais órgãos de divulgação. Em acontecimentos como a explosão ocorrida há dias no RU, vai depender só dos boatos para saber o que houve. E na eleição para Reitor do segundo semestre, vai sentir a falta de uma fonte de informação que seja plural e independente. O Projeto Universidade Aberta do Curso de Jornalismo deixou de existir em março, depois de mais de 15 anos de produção de noticiário diário sobre a UFSC. Já não se pode dizer com certeza que “todo dia a UFSC é notícia”, como no slogan do projeto, e o que se passa no Campus da Trindade fica menos conhecido, transparente e explicado. Os jornalistas de Santa Catarina perderam também a sua mais confiável fonte de informações sobre a Universidade.

Fundado em 1991, com um programa diário sobre a UFSC produzido pelos alunos de Jornalismo na extinta Rádio União FM, o projeto conquistou credibilidade dentro e fora do campus e se expandiu para outras mídias. Manteve programas diários em várias rádios comerciais, mais tarde também na TV, conquistou páginas periódicas em jornais de Florianópolis e em 1997 inaugurou o site www.unaberta.ufsc.br, o primeiro jornal online de todo o estado de Santa Catarina e também a primeira página de internet com notícias diárias de toda a universidade brasileira. Desde então, durante as greves na universidade, o Unaberta foi a única fonte de informação atualizada diariamente sobre os rumos do movimento e as negociações em Brasília, para onde várias vezes enviou alunos-repórteres, e conquistou com isso um público nacional. O site recebeu mais de sete milhões de acessos reais em sua existência, não baixando, nos últimos tempos de vida, dos cinco mil acessos diários.

Em 1998, por iniciativa do Pró-Reitor Faruk Nome, a Reitoria transferiu ao Unaberta os recursos e a responsabilidade pela divulgação do Vestibular da UFSC, antes confiados a uma empresa privada. As inscrições no vestibular aumentaram nos cinco anos seguintes, e a experiência foi apontada pelo MEC às demais Ifes como exemplo de como reduzir custos e ganhar eficiência na organização do concurso. O Projeto passou a produzir toda a campanha publicitária do vestibular (cartaz, folder, anúncios para jornal, revista, rádio, TV e internet), administrar a sua veiculação, elaborar o site do concurso, o Guia do Vestibulando, o Guia dos Cursos e a revista institucional da Universidade (UFSC 2000), além de outros serviços de comunicação institucional, requisitados por vários setores.

Com os recursos recebidos, o Unaberta sustentava toda essa produção, inteiramente realizada por alunos do Jornalismo, com apoio de servidores e supervisão de professores. E, mais do que isso, garantia o financiamento de seu objetivo principal, a produção diária de notícias independentes sobre a Universidade para a mídia própria e externa. No auge, o Projeto de Extensão chegou a manter simultaneamente seis professores, três servidores e trinta alunos como bolsistas. Atuando como agência de notícias e produtora multimídia, passou a colecionar prêmios nacionais e a ser citado como referência laboratorial no ensino de jornalismo. Enquanto estágio interno, tornou-se um dos alicerces do projeto pedagógico que colocou o curso da UFSC por vários anos na posição de “o melhor do país”, como aparecia no Guia do Estudante da Editora Abril.

Esvaziamento

A nomeação de um professor do curso, participante do Projeto Universidade Aberta, para a direção da Agência de Comunicação da Universidade, na última gestão do reitor Rodolfo Pinto da Luz, criou a expectativa de um maior aproveitamento da competência do Departamento de Jornalismo para gerar a elaboração do Plano Estratégico de Comunicação da UFSC no âmbito da Agecom. Mas o que se seguiu foi o inverso: nos anos seguintes, o Unaberta começou a perder espaço na comunicação da universidade e as verbas necessárias para funcionar. Na gestão do professor Lúcio Botelho, prosseguiu o esvaziamento do Projeto Universidade Aberta: o Curso de Jornalismo foi definitivamente excluído da comunicação do vestibular, perdeu as bolsas de extensão dos professores e funcionários, depois também as verbas de contratação de serviços e de material de consumo, mantendo apenas as bolsas dos alunos, já reduzidas pela metade em relação a oito anos antes. O projeto só não morreu no início de 2006 pela resistência teimosa de sua última coordenadora, que o sustentou, apoiada apenas por um punhado de alunos, até o final do último semestre letivo, quando se afastou da UFSC para cursar doutorado.

Faça-se justiça, no entanto, ao atual Reitor: ao tomar conhecimento da paralisação do projeto, o professor Lúcio Botelho disponibilizou-se a buscar recursos para viabilizar a continuidade da existência do Universidade Aberta, concordando que a UFSC precisava de um veículo independente da sua comunicação institucional, conforme o UA sempre se propôs a ser e vinha atuando. Na verdade, foram o Departamento e o Curso de Jornalismo que já não se interessaram por dar continuidade ao Unaberta.

Divisão Interna

Para mais de 500 jornalistas diplomados na UFSC, que passaram pelo Unaberta nestes últimos quinze anos e meio, o projeto foi um dos alicerces da qualidade de sua formação. Mas os atuais responsáveis pelo Departamento e o Curso – direção e corpo docente - não pensam da mesma forma que seus ex-alunos. Assim, na última reunião do Colegiado do Departamento, realizada no dia 18 de abril, o projeto foi desqualificado de várias formas e tido como perfeitamente dispensável. Diante do impedimento dos seus últimos coordenadores – uma afastada para doutorado, outro assumindo a coordenação da implantação do mestrado - nenhum outro professor se interessou em dar continuidade ao projeto, e a experiência do site foi considerada encerrada.

Envolvidos em mais uma árdua disputa interna, que é recorrente na história do Departamento e do Curso, não parece importar tanto aos vários grupos de professores edificar o institucional coletivo. É neste contexto que se opta por extinguir o Unaberta, mesmo sem nada ainda de concreto delineado para colocar no lugar. E o certo é que todas tentativas anteriores de substituição não conseguiram se consolidar.
A maioria silenciosa do Departamento, envolvida em seus projetos e afazeres, que são muitos, e atordoada pelas disputas internas, desistiu de continuar defendendo o projeto. Os atuais alunos, assustados e temerosos, optaram por se calar durante todo o desenrolar do episódio. E só agora, depois dele consumado, dão-se conta de que foram os verdadeiros perdedores.

Se a disputa interna não inviabilizar mais outras coisas, o Departamento de Jornalismo da UFSC continuará a contar com excelentes professores em aula, projetos de pesquisa de ponta e uma infra-estrutura tecnológica de fazer inveja. Neste momento, o Departamento dá, sem dúvida, um grande salto, com a criação do primeiro Mestrado especializado em Jornalismo no país, que vem sendo muito saudado pela comunidade acadêmica do campo e também pela área profissional .

Mas a morte do Projeto Universidade Aberta marca o fim de uma era na formação profissional oferecida na instituição. A convivência de professores e alunos em torno de uma prática com P maiúsculo, feita real dentro do curso, não mais será a mesma. A emoção da cobertura em tempo real dos acontecimentos da Universidade, do enfrentamento dos dilemas éticos, dos desafios teóricos e técnicos da profissão, no testemunho diário de uma paixão pelo ofício, isso pode ter ficado para a história como o período romântico, ou melhor, utópico, do Curso de Jornalismo da UFSC. Ao alcance dos signatários desta, fundadores e ex-coordenadores do projeto, fica a vontade de manter viva uma pequena semente deste espírito na Rádio Ponto UFSC (www.radio.ufsc.br), projeto do Laboratório de Radiojornalismo do Curso, onde, aliás, tudo começou.

O texto foi copiado do site: http://www.sjsc.org.br/ (Sindicato dos Jornalistas Profissionais de SC)

Thursday, May 03, 2007

chove na ilha
em dia de prisão
de gente sem lei

Saturday, April 21, 2007


Segredos Dançantes Contra Brutalidade Surda no palco do CIC

Série Mergulho no Palco
1º e 2 de maio – 20 horas
Ingressos: R$ 15,00 e meia R$ 7,00
TEATRO ADEMIR ROSA – Centro Integrado de Cultura (CIC)
---------------------------------

Dança de detalhes que não se desvendam

Bailarinos e público ocupando o mesmo espaço: o palco do Teatro Ademir Rosa, no Centro Integrado de Cultura, em Florianópolis. O espetáculo “Segredos Dançantes Contra Brutalidade Surda” estréia nos dias 1º e 2 de maio, às 20 horas, e une o coreógrafo Alejandro Ahmed, do Grupo Cena 11, os bailarinos Anderson Gonçalves, Phelipe Janning e Volmir Cordeiro, além de Hedra Rockenbach compondo a trilha sonora. É o quarto espetáculo apresentado pela Série Mergulho no Palco.

“A proposta foi reunir profissionais da dança, que trabalham de forma isolada ou em grupos distintos, num projeto comum de desenvolvimento de novas pesquisas e possibilidades em dança contemporânea”, conta Phelipe Janning, bailarino e produtor. No caso do coreógrafo Alejandro Ahmed, por exemplo, é o primeiro trabalho de longa duração fora do Cena 11, grupo pelo qual já é reconhecido internacionalmente. Foram dez meses de ensaios e aulas, diariamente, a partir da criação do núcleo formado pelos profissionais envolvidos.

Sobre “Segredos”

“Um segredo tece sua força na qualidade de informação que guarda, e qualidade aqui se refere à propriedade. O segredo só sobrevive alimentado por aquilo que não revela. Ele não esconde, ele guarda”. Nas palavras do coreógrafo Alejandro Ahmed pode-se entender a essência do espetáculo. De acordo com ele, “Segredos dançantes contra brutalidade surda” tem o propósito de investigar uma dança do “detalhe”, confeccionada em ações e movimentos que são desenvolvidos para não serem desvendados naquilo que poderia ser sua receita. “Esta investigação coreográfica propõe em cena um sistema anti-vaidade construído com dança, música, Volmir 20, Phelipe 28 e Anderson 42”, aponta Ahmed. O projeto foi desenvolvido com recursos da Lei de Incentivo à Cultura do Estado de Santa Catarina – FUNCULTURAL e do Prêmio Klauss Vianna, através da Funarte/Ministério da Cultura. Conta também com patrocínio da Petrobras e apoio da Canguru Embalagens.


Segredos Dançantes Contra Brutalidade Surda
Ficha técnica:
Alejandro Ahmed – coreografia e direção
Anderson Gonçalves - bailarino
Hedra Rockenbach - trilha sonora
Phelipe Janning - bailarino e produtor
Volmir Cordeiro - bailarino

Contato MERGULHO NO PALCO:

Produção: Andreza Martins (8802 3722) e Phelipe Janning (9981-6077)

Assessoria de imprensa: Adriane Canan
adrianecanan@yahoo.com.br
(49) 9917-0972

Friday, April 13, 2007

passada a despedida
vem a lembrança

e o pensamento quase nulo

Wednesday, April 04, 2007

Carta Maior

Resistência: Carta Maior permanece na luta por uma comunicação mais plural e democrática!

Saturday, March 24, 2007

Babel

Fui ver, no domingo passado, o novo (já nem tanto assim!) filme de Iñarritu. Passou aqui em Chapecó. Rapidamente, mas passou. Com direção de Alejandro Gonzáles Iñarritu e roteiro de Guillermo Arriaga, Babel segue a linha dos filmes anteriores da dupla (Amores Perros e 21 Gramas): narrativa não-linear, histórias (de desespero) que se cruzam e uma sensação final de impotência. Cheguei em casa e fui ler algumas coisas sobre o filme. A crítica de Ricardo Calil, da Bravo, me pareceu interessante. Sugiro a leitura, embora discorde de alguns pontos. Entre eles a afirmação de que diretor e roteirista "operam como deuses punitivos e manipuladores, que condenam seus personagens a um calvário desproporcional a seus pecados". Não me pareceu que Iñarritu e Arriaga tenham 'inventado' calvários. Preste atenção, se for assistir, na performance e na história da babá mexicana que cuida das crianças americanas - aliás, excelente trabalho da atriz Adriana Barraza. Não há nada de novo em sua trajetória, nenhum calvário inverossímil.

Wednesday, March 21, 2007


Ademir Rosa: paixão pela arte, paixão pela vida

Dia 28 de março (quarta-feira), às 19 horas, na Assembléia Legislativa de SC, será lançado o livro Ademir Rosa: paixão pela arte, paixão pela vida. Obra coletiva, trata-se de uma homenagem ao grande ator, dramaturgo, petista, sociólogo e amigo Ademir Rosa! Salve, Ademir!

Um time do coração fez o livro: Pedro Uczai é o organizador. São 22 amigos escrevendo sobre ele. Edilma Rosa e Santina Marafon produziram. Cristiane Cardoso assina o projeto gráfico e diagramação. Eu, a edição. Muito emocionante. Uma obra feita por muita gente, com muito carinho!

Tuesday, March 20, 2007

Da série Escritos:

(2)
(Adriane Canan - Porto Alegre - 20.03.03 - dia do início da Guerra no Iraque)

Talvez amanhã aconteça de pararmos na rua para amarrar os cadarços
Ou quem sabe chova e o guarda-chuva esteja em casa
Agora mesmo Amanda me pediu pra ver Alice no país das Maravilhas
Eu resisti: queria ver as notícias de uma guerra que já me contam há meses
Da qual já se sabe o número de possíveis mortos e vivos
E de mortos-vivos
Mundo das Sete Maravilhas
Amanda está vendo Alice, em seguida deve dormir
Amanhã talvez a guerra já estará em seu primeiro dia
Amanda vai pra escola cedo
Espero não esquecer o guarda-chuva, nem cair por conta dos sapatos.

Friday, March 16, 2007

Da série Escritos

(1)
Sobre Paris (duas ou três considerações, de rua ou de sonho)
Adriane Canan (abril de 2002 - Sur-Marne)

Os pés em Paris/Negros como o breu da noite/ Os pés em Paris/ Panos coloridos como um sábado/ Os pés em Paris/ Negros olhos transfigurados num ocidente antropófago/O menino é romeno, chora na mão pelo dinheiro que pede/ Chora a mãe no ventre pelos filhos que carrega/ Choram os pés em Paris/ (Barulho do metrô) /Silêncio nas ruas sepultadas de história/ O peso da cultura nos olhos absortos do intelectual/ E a bicha velha que importa o corpo-menino-asiático por pão e sexo/ O rio gelado e os turistas medíocres que posam de ricos ao som de Edith Piaf/ Os grandes pintores pendurados nas paredes do Louvre/ (Barulho de passos no corredor)/ Arte vale muito?/ A Torre Eiffel e os souvenirs de pobre/ A Place Vendome e a morte da nobre-plebéia-donzela-prostituta que trepava com o milionário egípcio/ Armani,Mont Blanc/ O homem aluga o menino para pedir esmolas/Os pés em Paris/ (Sonho com o Pablo)/ As escadarias de Nogent-Sur-Marne e a tranquilidade na casa da Irina/ As putas-travestis-argelinas do Kadet/ Fotos pra ficar na festa/Os olhos azuis da Lara percorrem a escola de artes/ E a alemã ex-comunista foi para os Estados Unidos do World Trade Center/ (Penso na Amanda)/ O português arrota arrogância e come seus próprios eus/ As baianas são negras como os negros da Estação Les Halles/ Os andinos não recebem palmas/ Os judeus fazem doces no Mares e jogam bombas nos palestinos/ Enquanto o Mc Donalds de Paris tem cabelo no Big Mac/ A França vota numa eleição silenciosa como a morte/Sem pombos/ Uma capa de chuva verde-limão e um dia livre para compras em Paris/ Pausa.

Sunday, March 04, 2007

sometimes

Thursday, February 22, 2007

Ontem olhei a chuva e escrevi um novo micro-conto:

Chuva

Mal sentiu o primeiro pingo de chuva e já estava totalmente encharcado. Lembrou-se, então, que com seu grande amor fora do mesmo jeito.

Sunday, January 28, 2007


Cartaz lindo! Saiba mais sobre o festival da cidade da amigona Sandy: Roterdã