Thursday, January 25, 2007

Micro-contos meus selecionados em concurso do Leiturascom.net, no ano passado:

O palhaço

Quando o palhaço morreu, já era tarde. Não havia mais como cancelar o espetáculo.

Conselho

Pensou duas vezes. Era quase automático pensar duas vezes. Sempre recebia o conselho de pensar duas vezes antes de qualquer coisa. Se tivesse seguido o primeiro impulso, ainda estaria viva.


Hora certa

Três minutos além do horário marcado. E ela já estava puta da vida. Dedo batendo no relógio. Olhos nervosos. Merda! É sempre assim! - , gritava. Ele chegou bem calmo. Sorriso nos lábios. Abraçou-a por trás com força. Beijou seu pescoço. Passou as mãos pelos seios. E acertou os relógios.

Sunday, January 21, 2007

El traje que vestí mañana
no lo ha lavado mi lavandera:
lo lavaba en sus venas otilinas,
en el chorro de su corazón, y hoy no he
de preguntarme si yo dejaba
el traje turbio de injusticia.

A hora que no hay quien vaya a las aguas,
en mis falsillas encañona
el lienzo para emplumar, y todas las cosas
del velador de tánto qué será de mí,
todas no están mías
a mi lado.
Quedaron de su propiedad,
fratesadas, selladas con su trigueña bondad.

Y si supiera si ha de volver;
y si supiera qué mañana entrará
a entregarme las ropas lavadas, mi aquella
lavandera del alma. Que mañana entrará
satisfecha, capulí de obrería, dichosa
de probar que sí sabe, que sí puede
¡CÓMO NO VA A PODER!
azular y planchar todos los caos.


César Vallejo


[um dia de domingo, ao entardecer]

Monday, January 15, 2007

aquilo que eu temia aconteceu
me dei conta de tudo
ficou mais difícil sonhar

Wednesday, January 10, 2007

Sobre o céu

Eu e Amanda voltamos de Florianópolis pra Chapecó de avião, no domingo passado, dia 7 de janeiro. A Gol tem umas promoções boas e até o povo do Old West agora tem vez nos céus catarinenses.

E o céu estava lindão. Azul com nuvens branquinhas, branquinhas.
Amanda:
- Mãe, é assim que é o céu?
Eu:
- É, estamos no céu. Que lindo, né? Parece que estamos num sonho!
Amanda:
- Mãe, me conta a verdade?
Eu:
- Que verdade, filha?
Amanda:
- Sobre o céu, ué. Você sabe toda a verdade sobre o céu?
Eu:
- Só sei que é bonito, olha ali que lindo, tão azulzinho!
Amanda:
- A vovó disse que a gente fica invisível quando vai pro céu. Eu não quero ficar invisível. Queria brincar assim, como sou!
Eu:
- Ué, mas estamos no céu e estamos brincando de sonhar no meio das nuvens!
Amanda:
- É, pode ser. Mas acho que ainda não sei toda a verdade sobre o céu. A vovó deve saber. Um dia ela me conta.

Monday, January 08, 2007

Thursday, January 04, 2007



enquanto isso, na alemanha...

matéria sobre o brasil plural 9 na revista/site tópicos da alemanha, editada pelo colega jornalista Geraldo Hoffmann: clique aqui

Monday, December 11, 2006

“No lo miraria en los ojos”

11 de setembro de 2001. No dia em que as atenções do mundo se voltavam para o atentado em NY, aqui, na América Latina, o Chile lembrava os 28 anos do Golpe Militar que derrubou o governo socialista de Salvador Allende. Um golpe que derrubou a esperança.

O Chile lembrava os milhares de mortos e desaparecidos sob o peso da ditadura de Augusto Pinochet. Lembrava de gente como o músico Victor Jara, que teve os dedos das mãos e a língua cortados. Victor não poderia mais cantar e tocar Te recuerdo Amanda. Victor não queria la patria dividida...Victor foi calado e morto!

Em 11 de setembro de 2001, eu trabalhava na Fm Cultura, rádio educativa de Porto Alegre. Preparamos uma matéria, eu e o colega Germano Maraschin, sobre os 28 anos do golpe. Era uma entrevista com Patrícia Verdugo, jornalista que escreveu o livro “A caravana da morte”. Foi este livro um dos principais fundamentos com os quais o juiz espanhol Baltazar Garzón abriu processo contra Pinochet. Patrícia teve o pai morto pela ditatura. Patrícia diz, na entrevista, que não olharia Pinochet nos olhos, pois tem a sensação de que o terror das vítimas sempre fica preso nos olhos do assassino:“Yo no lo miraria en los ojos”.

A matéria já estava pronta para ir ao ar no programa Cultura na Mesa, ao meio-dia daquele 11 de setembro de 2001, junto com diversas outras. E os aviões explodiram contra os prédios. No jargão jornalístico, “derrubamos” tudo que estava previsto para o programa e passamos a pensar a cobertura dos atentados. A única matéria prévia que colocamos no ar foi, exatamente, a dos 28 anos do Golpe no Chile. Havia uma relação histórica, afinal, a ditadura chilena teve, desde o planejamento do golpe, o apoio irrestrito dos Estados Unidos da América. A história demonstrou.

Estive no Chile por três vezes na década de 90. Foram momentos inesquecíveis participando do Encontro Latino-Americano de Teatro Popular. Na periferia de Santiago, recebidos nas casas da população mais pobre, nos sentíamos felizes e percebíamos com clareza que ainda havia esperança, mesmo depois de 17 anos de uma ditadura absurda e sangrenta. Lembro das Hormiguitas, um coletivo de mulheres que trabalhavam juntas, desde o início da década de 70, desde Allende. Elas nos contaram muitas histórias.

Com o Pablo, companheiro chileno com quem dividi alguns anos, também aprendi muito sobre o Chile. Nossa filha se chama Amanda!

Hoje, quando o povo chileno volta às ruas. Hoje, quando o Chile despertou sem a sombra do ditador sanguinário que dizia que “nenhuma folha se move no Chile sem que eu me mova”, lembrei daquele 11 de setembro. E de cada amigo chileno. Das Hormiguitas...E pensei em minha filha Amanda e em Victor Jara!

Viva Chile libre!

Ouça aqui a matéria com Patrícia Verdugo!



(Se preferir, clique aqui para abrir ou baixar o arquivo com a entrevista.)

* A disponibilização da matéria em áudio contou com a ajuda grandiosa do amigo jornalista Alexandre Gonçalves! Gracias, hermano!


Charge do Frank Maia.

Que viva Chile, agora livre de Pinochet!
Por la memória de miles de muertos por la dictadura!!
Por Victor Jara!

Monday, October 23, 2006

Visite o site do Brasil Plural e veja o blog que estou atualizando no link "notícias".

Monday, August 21, 2006


sinto
pelo sol
e pelas nuvens
algo passageiro
mas, talvez, imortal
como tudo que me deixa feliz

Monday, June 26, 2006

"..son tantas cosas, yo solo preciso dos: mi guitarra y vos...mi guitarra y vos...Jorge Drexler

Saturday, May 13, 2006

pelo menos o que foi planejado
não aconteceu
ainda bem!

Sunday, April 30, 2006

hace frio en los piés
pero tengo calientito el corazón...

Tuesday, April 25, 2006

depois
daí contamos pra todo mundo
vai ser ótimo!

Thursday, April 20, 2006

fim e começo

difícil de entender, nathan

até mais

Monday, April 17, 2006


gato
cachorro

oceano
no meio

mesmo assim
pertinho

(foto do Seu Alberto, um amigo português de 74 anos e muita, muita poesia!)

Sunday, April 16, 2006

seria mesmo certo
ou estou enganada?

tentarei mesmo assim

adri

Tuesday, April 11, 2006

hoje é um dia pra rir bem alto

Thursday, April 06, 2006

carta falada
ao coração
pequeno imenso alento
doze minutos de carinho
além do oceano

obrigada!

adri