Micro-contos meus selecionados em concurso do Leiturascom.net, no ano passado:
O palhaço
Quando o palhaço morreu, já era tarde. Não havia mais como cancelar o espetáculo.
Conselho
Pensou duas vezes. Era quase automático pensar duas vezes. Sempre recebia o conselho de pensar duas vezes antes de qualquer coisa. Se tivesse seguido o primeiro impulso, ainda estaria viva.
Hora certa
Três minutos além do horário marcado. E ela já estava puta da vida. Dedo batendo no relógio. Olhos nervosos. Merda! É sempre assim! - , gritava. Ele chegou bem calmo. Sorriso nos lábios. Abraçou-a por trás com força. Beijou seu pescoço. Passou as mãos pelos seios. E acertou os relógios.
Sunday, January 21, 2007
El traje que vestí mañana no lo ha lavado mi lavandera: lo lavaba en sus venas otilinas, en el chorro de su corazón, y hoy no he de preguntarme si yo dejaba el traje turbio de injusticia.
A hora que no hay quien vaya a las aguas, en mis falsillas encañona el lienzo para emplumar, y todas las cosas del velador de tánto qué será de mí, todas no están mías a mi lado. Quedaron de su propiedad, fratesadas, selladas con su trigueña bondad.
Y si supiera si ha de volver; y si supiera qué mañana entrará a entregarme las ropas lavadas, mi aquella lavandera del alma. Que mañana entrará satisfecha, capulí de obrería, dichosa de probar que sí sabe, que sí puede ¡CÓMO NO VA A PODER! azular y planchar todos los caos.
aquilo que eu temia aconteceu me dei conta de tudo ficou mais difícil sonhar
Wednesday, January 10, 2007
Sobre o céu
Eu e Amanda voltamos de Florianópolis pra Chapecó de avião, no domingo passado, dia 7 de janeiro. A Gol tem umas promoções boas e até o povo do Old West agora tem vez nos céus catarinenses.
E o céu estava lindão. Azul com nuvens branquinhas, branquinhas. Amanda: - Mãe, é assim que é o céu? Eu: - É, estamos no céu. Que lindo, né? Parece que estamos num sonho! Amanda: - Mãe, me conta a verdade? Eu: - Que verdade, filha? Amanda: - Sobre o céu, ué. Você sabe toda a verdade sobre o céu? Eu: - Só sei que é bonito, olha ali que lindo, tão azulzinho! Amanda: - A vovó disse que a gente fica invisível quando vai pro céu. Eu não quero ficar invisível. Queria brincar assim, como sou! Eu: - Ué, mas estamos no céu e estamos brincando de sonhar no meio das nuvens! Amanda: - É, pode ser. Mas acho que ainda não sei toda a verdade sobre o céu. A vovó deve saber. Um dia ela me conta.
Monday, January 08, 2007
2007...
Thursday, January 04, 2007
enquanto isso, na alemanha...
matéria sobre o brasil plural 9 na revista/site tópicos da alemanha, editada pelo colega jornalista Geraldo Hoffmann: clique aqui
Monday, December 11, 2006
“No lo miraria en los ojos”
11 de setembro de 2001. No dia em que as atenções do mundo se voltavam para o atentado em NY, aqui, na América Latina, o Chile lembrava os 28 anos do Golpe Militar que derrubou o governo socialista de Salvador Allende. Um golpe que derrubou a esperança.
O Chile lembrava os milhares de mortos e desaparecidos sob o peso da ditadura de Augusto Pinochet. Lembrava de gente como o músico Victor Jara, que teve os dedos das mãos e a língua cortados. Victor não poderia mais cantar e tocar Te recuerdo Amanda. Victor não queria la patria dividida...Victor foi calado e morto!
Em 11 de setembro de 2001, eu trabalhava na Fm Cultura, rádio educativa de Porto Alegre. Preparamos uma matéria, eu e o colega Germano Maraschin, sobre os 28 anos do golpe. Era uma entrevista com Patrícia Verdugo, jornalista que escreveu o livro “A caravana da morte”. Foi este livro um dos principais fundamentos com os quais o juiz espanhol Baltazar Garzón abriu processo contra Pinochet. Patrícia teve o pai morto pela ditatura. Patrícia diz, na entrevista, que não olharia Pinochet nos olhos, pois tem a sensação de que o terror das vítimas sempre fica preso nos olhos do assassino:“Yo no lo miraria en los ojos”.
A matéria já estava pronta para ir ao ar no programa Cultura na Mesa, ao meio-dia daquele 11 de setembro de 2001, junto com diversas outras. E os aviões explodiram contra os prédios. No jargão jornalístico, “derrubamos” tudo que estava previsto para o programa e passamos a pensar a cobertura dos atentados. A única matéria prévia que colocamos no ar foi, exatamente, a dos 28 anos do Golpe no Chile. Havia uma relação histórica, afinal, a ditadura chilena teve, desde o planejamento do golpe, o apoio irrestrito dos Estados Unidos da América. A história demonstrou.
Estive no Chile por três vezes na década de 90. Foram momentos inesquecíveis participando do Encontro Latino-Americano de Teatro Popular. Na periferia de Santiago, recebidos nas casas da população mais pobre, nos sentíamos felizes e percebíamos com clareza que ainda havia esperança, mesmo depois de 17 anos de uma ditadura absurda e sangrenta. Lembro das Hormiguitas, um coletivo de mulheres que trabalhavam juntas, desde o início da década de 70, desde Allende. Elas nos contaram muitas histórias.
Com o Pablo, companheiro chileno com quem dividi alguns anos, também aprendi muito sobre o Chile. Nossa filha se chama Amanda!
Hoje, quando o povo chileno volta às ruas. Hoje, quando o Chile despertou sem a sombra do ditador sanguinário que dizia que “nenhuma folha se move no Chile sem que eu me mova”, lembrei daquele 11 de setembro. E de cada amigo chileno. Das Hormiguitas...E pensei em minha filha Amanda e em Victor Jara!
Viva Chile libre!
Ouça aqui a matéria com Patrícia Verdugo!
(Se preferir, clique aqui para abrir ou baixar o arquivo com a entrevista.)
* A disponibilização da matéria em áudio contou com a ajuda grandiosa do amigo jornalista Alexandre Gonçalves! Gracias, hermano!