
Tuesday, March 03, 2009
Thursday, February 26, 2009
“O que é um homem cujo principal uso e melhor aproveitamento
do seu tempo é comer e dormir? Apenas um animal.
É evidente que este que nos criou com tanto entendimento,
capazes de olhar o passado e conceber o futuro, não nos deu
essa capacidade e essa razão divina para mofar em nós, sem uso.”
Hamlet, de William Shakespeare, com tradução de Millôr Fernandes
Cinco horas da tarde e aquele barulho infernal das crianças saindo da escola. Ângelo não suportava quando eles passavam aos berros. Eram diabos!
- Filhos da mãe! – resmungou para si mesmo, sabendo que o Vander estava de orelha afiada para o seu lado.
O Vander já tinha terminado os três pé e mão que estavam agendados para aquela tarde no seu caderninho do Salão Beauty. Estava parado na porta, do outro lado da rua estreita. Atravessou e foi comer seu sanduíche vespertino sentado na calçada, do lado do sofá vermelho onde o Ângelo vivia, em meio a sacos de lixo cheios de jornais e de roupas velhas.
- Pelo amor de Deus, my love! – o Vander já estava com a boca cheia de sanduíche. – Tua rabugice está aumentando horrores!
Ângelo esfregou as mãos no rosto com força.
- Trouxe o meu de hoje? Ou só esse teu pão de ontem?
O Vander gostava dessa hora. Sempre botava o nariz pra cima e alcançava o sanduíche do Ângelo com desdém, como quem diz: “tu vais te foder no dia em que eu não trouxer mais isso!”.
- Tá aqui, my love.
- Olha aqui, pára com essa coisa de pão com queijo todo o dia. Não tem mais nada na porra da tua casa? E some daqui, seu merda. Não me aparece mais do lado de cá da calçada.
Ao Vander soou absolutamente normal a reação daquele homem grande e sujo, que conhecia há tanto tempo. Então já não tinham quase brigado mais de mil vezes por causa do mau humor do Ângelo? Engoliu o resto do sanduíche e limpou os lábios com as costas da mão. Não havia mais crianças na rua.
- Olha aqui, Ângelo, você já sabe que não me mete medo. Mas se te faz bem desabafar assim, vai fundo, meu amor! – levantou-se, bateu as duas mãos na calça branca e jogou o cabelo tingido para trás.
Voltar ao salão, juntar as coisinhas e já pra casa: era só o que precisava para aliviar a tensão do dia. Entre o trabalho de auxiliar de cabeleireiro e o sonho de ter o próprio salão de beleza corria um rio imenso, com águas profundas. As cartas tinham avisado. Ele tinha compreendido a mensagem do tarô, justo daquela vez que botou para o Ângelo também: “Eu vou me foder trabalhando, mas um dia vou ter o salão. Olha aqui: é o Rei de Ouros! E você, Ângelo, vai acabar a vida nessa calçada”.
Houve um dia em que eu passei e vi
um homem que varria os cacos do puteiro da Rua Olavo Bilac.
Onze horas da manhã de sábado,
os cacos do puteiro
Naquele dia eu pensei:
no puteiro da Olavo,
nas árvores da Olavo,
na dona Maria da Olavo.
A vista do terraço do nosso prédio era monótona,
mas não nos demos conta.
Wednesday, February 25, 2009
Saturday, February 21, 2009
A turma deve filmar em breve Beijos de Arame-Farpado.
Friday, February 20, 2009
Cordel Do Fogo Encantado
Composição: Zé Da Luz
Se um dia nois se gostasse
Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse
Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse
Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse
Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse
de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse
te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse
E tu cum eu insistisse
pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse
E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse
Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse
e as virgi toda fugisse!
Thursday, February 19, 2009
Na mesa ao lado, um grupo de senhores. São uns cinco ou seis. Um deles está acompanhado pela esposa.
Tomo meu café bem devagar.
Eles conversam.
Dois senhores, baixinho:
- Vistes o concurso de marchinhas?
- Não, que tal?
- Várias coisinhas boas. O destaque é o Barak, claro. Mas a que mais gostei foi sobre a reforma ortográfica...
- É? O que diz?
- Mistura criatividade com um pouco de safadeza...A marchinha boa tem isso, não é? Fala da dificuldade de tirar o trema da linguiça...
- Hahahaha...
- Ah, pois é...
O casal que está na mesa se levanta para sair. Caminham devagar na direção do Calçadão da Trajano. Na mesa:
- É bodas de esmeralda, já?
- É!
- Ah, sim, bodas de esmeralda é aos 60 anos de casados, isso mesmo!
Wednesday, February 18, 2009
O Caderno de Turismo do Correio Braziliense de hoje traz um super material sobre o México. E o melhor: produzido pelos amigos Sílvia Pavesi e Eumano Silva. Eles passaram mais de ano viajando pela hispanoamérica e publicando uma série de reportagens. São textos e fotos especiais!
Do Correio: "Esta reportagem sobre o México encerra a série Viagem pela História publicada pelo Correio desde julho de 2007. Durante um ano, os autores percorreram 14 países da América Latina em ônibus, trens, barcos, triciclos e longas caminhadas. Sem pegar avião, atravessaram todas as fronteiras de Brasília a Tijuana, quase nos Estados Unidos. A série demonstrou como o turismo pode ser usado para se conhecer a memória preservada de um continente. Das doze reportagens, oito mereceram capa do caderno Turismo".
O material sobre o México está super completo e traz como título principal: A arte como testemunha
Várias matérias dão um contexto bem amplo da cultura mexicana:
A conquista do México
Uma cidade sobre a outra
Tesouros da antiguidade
Os amantes da Casa Azul
Além de dicas no Guia de Viagem
Abaixo, reproduzo matéria e foto da Sílvia Pavesi sobre Frida Kahlo e Diego Rivera!
Parabéns pelo belo trabalho!
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Fachada da residência onde viveram Frida Kahlo e Diego Rivera
Os amantes da Casa Azul
A tumultuada relação de Frida Kahlo e Diego Rivera misturou arte, sexo, boemia e política.
Museu revela a intimidade dos dois pintores
Silvia Pavesi
Especial para o Correio
Ao cruzar a soleira da porta da Casa Azul, o visitante entra na intimidade de dois dos maiores artistas mexicanos. Esbarra por todos os lados em fragmentos da história de personagens marcantes do século passado. Logo na entrada, uma frase pintada na parede diz: “Frida y Diego vivieron en esta casa”.
Frida Kahlo, pintora quase que por acaso, casou-se com o consagrado muralista Diego Rivera em 1929. O casal instalou-se na casa construída por Guillermo Kahlo, pai da noiva, no bairro de Coyoacán, nos arredores da Cidade do México. A casa era branca. Foi pintada de azul-vivo pelos artistas em homenagem às fortes cores da cultura mexicana.
Transformada em museu em 1958, quatro anos após a morte de Frida, a Casal Azul reúne uma maravilhoso coleção de objetos e obras de arte que conta um pouco da conturbada e sofrida vida da pintora. Autorretratos, roupas, coletes de gesso, pincéis, cavaletes e dezenas de cartas trocadas entre Frida, seus amantes e personalidades da época emocionam o visitante. A cama onde Frida começou a esboçar os primeiros desenhos está cercada por fotografias de Lênin, Stalin e Mão Tse Tung, lembranças da militância política da pintora que ingressou no Partido Comunista Mexicano em 1928.
Frida nasceu em 6 de julho de 1907. Aos seis anos de idade contraiu poliomelite, doença que afetou o pé direito e o jeito de andar da menina.
A adolescente se preparava para cursar medicina, não pensava em ser artista. O destino começou a mudar no dia 17 de setembro de 1925, quando retornava para casa após um dia de aula, uma colisão mudou a vida da estudante. O bonde que a transportava para Coyoacán sofreu um violento acidente. Uma barra de ferro entrou pela bacia e destroçou o franzino corpo da garota de 18 anos.
As cirurgias e a imobilidade na cama despertaram a veia artística de Frida. Os primeiros rabiscos foram no próprio gesso. Borboletas e flores davam vida à couraça que envolvia o corpo dilacerado. Como o repouso forçado se prolongava, a mãe de Frida, Matilde Calderón, adaptou um cavalete à cama e um espelho no teto para a filha conseguir se ver e pintar. Assim surgiram os primeiros autorretratos.
A artista nunca se livrou das fortes dores e teve que se submeter a inúmeras cirurgias ao longo da vida. Depois de muitas experiências, voltou a caminhar, com certa dificuldade. O martírio e o suplício físicos foram a maior influência na arte da mexicana.
Frida não se deixou influenciar pelo marido e desenvolveu um trabalho próprio. Conheceu o francês André Breton que a classificou de surrealista. Frida respondeu que não pintava sonhos e sim sua própria realidade. Em 1938 realizou a primeira exposição em Nova Yorque. Logo em seguida, expôs no Museu do Louvre, em Paris.
O casamento com Rivera foi marcado por extravagâncias e traições. Cercados de artistas, os dois viviam em um ambiente boêmio e vanguardista para os padrões da época. O muralista tinha casos com modelos, artistas e até com a irmã de Frida. Ela sofria, mas perdoava o marido. Separaram-se mas voltaram a casar algum tempo depois. Mesmo com o corpo retalhado por cirurgias e dificuldades para caminhar, Frida era uma mulher encantadora, sedutora e charmosa. Cultivava admiradores. Homens e mulheres freqüentaram a cama da artista. Rivera fazia de conta que nada via.
Em 1937, Leon Trotski, fugindo da perseguição de Stalin, se refugiou no México e se abrigou na Casa Azul. Os casais discutiam política, estética e visitavam as pirâmides astecas. O velho comunista e a artista acabaram seduzidos um pelo outro. Rivera não suportou e pediu aos russos que deixassem a Casa Azul.
Em 1953, Frida expôs pela primeira vez no México. Quase não pôde ir à abertura. Estava muito doente, com fortes dores na coluna. Proibida pelo médico de levantar, ela chegou ao local da exposição deitada na própria cama, cercada por enfermeiros. Causou comoção. Menos de um ano depois, Frida Kahlo morreu aos 47 anos de idade enquanto dormia na Casa Azul.
Tuesday, February 17, 2009
Cris Cardoso, minha amiga-irmã pra sempre, volta semana que vem de uma viagem de quase três meses pela Europa. Pense numa pessoa curiosa!! Quero saber de tudo, nega! Pode chegar contando...
Ela e a prima Márcia percorreram vários países, descobrindo cores, aromas, texturas, paisagens. No cartão postal que me enviou, uma foto linda, p&b, de Paris, com palavras de transformação. Viagem sempre transforma a gente, que bom!
Ela relata alguns momentos da trip no Segura o Leme! Espia!
Saturday, February 14, 2009
Andar conmigo
Julieta Venegas
Hay tanto que quiero contarte
Hay tanto que quiero saber de ti
Ya podemos empezar poco a poco
Cuentame que te trae por aqui
No te asustes en decirme la verdad
Eso nunca puede estar así tan mal
Yo tambien tengo secretos para darte
Y que sepas que ya no me sirven más.
Hay tantos caminos por andar...
Dime si tu quisieras andar conmigo
Cuentame si quisieras andar conmigo
Dime si tu quisieras andar conmigo
Cuentame si quisieras andar conmigo
Estoy anciosa por soltarlo todo
Desde el principio hasta llegar al día de hoy
Una historia tengo en mi para entregarte
Una historia todavia sin final
Podriamos decirnos cualquier cosa
Incluso darnos para siempre un siempre no
Pero ahora frente a frente aqui sentados
Festejemos que la vida nos cruzó.
Hay tantos caminos por andar
Dime si tu quisieras andar conmigo
Cuentame si tu quisieras andar conmigo
Dime si tu quisieras andar conmigo
Cuentame si tu quisieras andar conmigo...
Si quisieras andar conmigo
Si quisieras andar conmigo...
Friday, February 13, 2009
Tem dias em que a saudade bate imensa. Hoje foi um deles. Intenso.
Beijo, querido amigo! E uma poesia pra ti, feita naqueles dias de tristeza:
Quando Osmar Gomes resolveu encontrar Frida Kahlo
(17/11/2006)
vai osmar
dá um beijo na frida kahlo
vou sentir saudades
vou lembrar de risadas e abraços
de caminhadas e poesias
do teu sorriso
de papel higiênico enrolado nas pernas
de teatro
da tua echarpe
das tuas mãos finas
dos teus belos textos
dos teus belos sonhos
das tuas brigas
da tua força
da tua fraqueza
vai osmar
dá um beijo na frida kahlo
Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mais eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
No volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá
Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração
[Chico Buarque]
Thursday, February 12, 2009
ONZE MARGENS / Autores
Adriana Baldissarelli
A eternidade (ou Uroboro)
Adriane Canan
Vértigo
Carlos Cardoso
A ciência de Nazca
Cristiane Cardoso
Aquela velha história
Fabiana Chryssovergis
Fantasia de improviso
Lilian Schmeil
Me and Miss Jones
Manoela de Borba
O traje último de Cubas
Margarida Baird
Amanhã, ninguém sabe...
Rodrigo Brasil
A cidade dos anões
Shaumi Womer
Silêncio das lágrimas
Thiago Toscani
Do Pó ao pó
Tuesday, February 10, 2009
Fabuloso Mundo de AmandaNovo blog na parada.
É o Fabuloso Mundo de Amanda.
As aventuras de uma guria de oito anos descobrindo o mundo.
As pequenas-grandes felicidades cotidianas!
Monday, February 09, 2009


Querido e talentosoAmanda leu hoje seu primeiro conto do Gabriel García Márquez: Um homem muito velho com umas asas enormes.
Sim, ela gostou muito. Sim, eu me emocionei.
Alma
Irina tinha a cabeça baixa e a alma quebrada quando entrou na sapataria. Sentiu que estava suando e esfregou as mãos úmidas na blusa com força. Só então olhou para trás do balcão do pequeno estabelecimento, abarrotado de sapatos esquecidos, de jornais velhos pendurados nas prateleiras de madeira e de sacolas com fechos quebrados.
Ao encontrar o olhar daquele homem alto e gordo, de bigodes ralos grudados pela mesma cola que sufocava o ambiente, ficou com a impressão de que o sapateiro sabia de tudo. Encheu os olhos d’água, sentiu uma leve tontura, mas deu dois passos, apoiou-se no balcão e disfarçou tirando a sandália vermelha da sacola e abrindo um sorriso meio de lado: talvez não houvesse mais conserto, ela se enfiara num buraco sem saída, sentira-se presa, não dava para explicar:
- Aí, bom, quebrou. É isso!
Viu um filtro na mesinha cheia de ferramentas do sapateiro e pediu-lhe água. Precisava se acalmar um pouco antes de saber a opinião do homem. Perguntou se podia sentar. Ele apontou o banquinho forrado de couro. Sentou-se, ajeitou a bolsa no colo e ficou observando o sapateiro que analisava o calçado.
Irina sabia que seria difícil aceitar que terminasse assim, e não tirava aquilo da cabeça. Era uma ótima esposa, fazia tudo para que os fins de semana fossem maravilhosos e que os programas feitos com o Francis tivessem todos os ingredientes daqueles inesquecíveis. As fotos comprovavam todas as aventuras que viveram juntos: Arembepe, Bombinhas, São Francisco de Paula no invernão! Sem falar, é claro, do álbum do casamento: aquela era uma união apaixonada, cheia de coisas em comum, bastava ver a cara dos amigos. E o movimento estudantil? As passeatas? O voto convicto no mesmo projeto político? E a reforma da casa? E O Tigre e o Dragão naquele domingo no cinema? O disco do Chico Buarque comprado num sebo em São Paulo? E ainda havia a história dela levar até o trabalho para perto de casa, para perto do Francis. Os contra eram bem poucos. Ela não gostava de futebol – e aquele enorme pôster do Internacional colado na parede suja da sapataria! -, e era um pouco ingênua para certas coisas. Havia também aqueles sonhos de adolescente, que poderiam levá-la para longe. Mas não era coisa para briga tão feia. Ir para casas separadas, ficar sem se falar, e ainda, que merda!, o buraco e o estrago na sandália vermelha.
Bebeu a água em pequenos goles e sofreu quando o sapateiro puxou o salto com tanta força que descolou tudo.
- Está aqui o problema – disse o homem.
Ele tinha uma voz bonita, forte e amiga. Tentaria resolver, mas o conserto era difícil. Estava quebrada na peça de metal entre o salto e a sola, a alma:
- Problema assim, dona, pode ser até que não tenha jeito.
Ela sentiu vontade de chorar bem alto. Respirou fundo e disse meia dúzia de palavras que saíram sem pensar:
- Bom, vê o que dá pra fazer. Passo aqui amanhã ou semana que vem ou no próximo mês ou...
Levantou-se, colocou o copo no balcão depressa para não mostrar a tremedeira e pensou na Marina. Achou que seria legal dar um pulinho na casa da amiga. Perguntou se não estaria abusando se usasse rapidinho o telefone da casa, o celular estava sem bateria. O homem foi atencioso, alcançou o telefone até o balcão e explicou que a tinta branca dos números tinha desaparecido porque os dedos molhados de cola ou água castigavam as teclas há tempo.
Ela disse que tudo bem e digitou com rapidez os números que tinha na memória. Pediu pra Marina se dava para passar lá e conversar um pouco. Largou o fone no gancho, olhou com carinho para o sapateiro e agradeceu a gentileza. Queria muito cuidado com a sandália vermelha, passaria ali como combinado para saber do conserto.
Encontrou a tarde já caindo na rua e entrou no carro com a cabeça doendo. Ligou o rádio e ouviu As rosas não falam, do Cartola, bem baixinho. Quando chegou no prédio da Marina o sol já tinha se posto, mas os apartamentos estavam com as luzes acesas.
Adriane Canan (2001)
Friday, February 06, 2009
Epifânia
Epifânia sempre foi mulher de posses. Anote-se: um fusca amarelo, ano 67 - que ela guarda envolto numa capa de pano marrom, um papagaio rouco, três sacolas de feira bordadas à mão, dois jogos de louça bem bonita, sete toalhas de prato pintadas para cada dia da semana, uma casa de madeira, anos 50, silenciosa, encolhida entre dois prédios do centro da cidade, e um suspiro inacabado, preso no fundo do peito.
A verdade é que pouco importa para a história saber o que Epifânia possui. Por direta oposição, nos interessa aquilo que falta. E se o que tem já está listado, apontemos, então, o que ficou vazio. Anote-se: o lado direito de uma cama de casal herdada dos pais, falecidos há 30 anos, quando ela beirava os 45, o lado esquerdo de um armário de madeira com prateleiras, cabideiro para roupas e chapéu, espaço para três pares de sapato, e um bom dia amor numa manhã de inverno.
É tudo.
Adri Canan - 2008
Wednesday, February 04, 2009
[Madita sea, pensé, qué desleal és el rubor.]
¨Memoria de mis putas tristes¨
Gabriel García Márquez
Editorial Sudamericana
Wednesday, January 28, 2009

Já começou o Fórum Social Mundial 2009, em Belém, no Pará.
Boa maneira de acompanhar é pela Ciranda da Comunicação.
Tuesday, January 27, 2009
Amanda, 8 anos, minha filha, e Alzira, 66 anos, minha mãe, são muito amigas. Neta e avó, unha e carne. Se completam muito, as duas. Amanda está de férias em Quilombo, onde moram meus pais, neste janeiro de 2009. Dona Alzira no volante do fusquinha 76 com Amanda na carona. Não tem tempo feio.
Ontem as duas passaram longas horas do dia em reunião da rádio comunitária lá de Quilombo. Discutindo programação, conteúdo. Refletindo sobre como fazer uma rádio que tenha participação das pessoas. Sobre como fazer uma comunicação mais democrática.
A mãe me ensinou muito nessa vida. Professora de história, sempre me dizia "filha, não esqueça que tem muito mundo lá pra trás desses morros". Me dava livros. Me incentivou a sair, estudar numa universidade pública. O que penso sobre comunicação, o rumo que dei pra minha profissão, levam a marca da Dona Alzira. Guerreira, companheira, lutadora.
Hoje me emocionei muito com Amanda contando da reunião. De como participou, deu ideias - com seu olhar tão aberto de criança - para uma comunicação mais humanista.
Obrigada, mãe!
1. Nasci em Quilombo, no interior de Santa Catarina. Já rodei o mundo, morei em diversos lugares...Mas o interior não sai de mim, não sai.
2. Amo minha filha Amanda mais que tudo neste mundo. E nos demais que houver por aí.
3. Sou de um signo de terra, mas amo mesmo é água.
4. Gosto de coisas bem simples.
5. Não sei dizer a coisa certa na hora certa.
6. Ando perdendo a memória.
É pra passar pra mais blogs...Ai, essas correntes, Maurício!!
Passo pra alguns: Coluna Extra, Cambalhota, Meleca Verde, Umparaisopessoal.
Sunday, January 25, 2009
(Jorge Drexler, 1 de abril, 2006, Sepúlveda)
Soledad,
aqui estan mis credenciales,
vengo llamando a tu puerta
desde hace un tiempo,
creo que pasaremos juntos temporales,
propongo que tu y yo nos vayamos conociendo.
Aquí estoy,
te traigo mis cicatrices,
palabras sobre papel pentagramado,
no te fijes mucho en lo que dicen,
me encontrarás
en cada cosa que he callado.
Ya pasó
ya he dejado que se empañe
la ilusión de que vivir es indoloro.
Que raro que seas tú
quien me acompañe, soledad,
a mi, que nunca supe bien
cómo estar solo.
Friday, January 23, 2009

Tuesday, January 20, 2009

Sandy, querida amiga lutadora, minha emoção de hoje é toda pra você!!Monday, January 19, 2009
Saturday, January 17, 2009
Tuesday, January 13, 2009


Monday, January 12, 2009

1 unidade(s) de abacate
2 dente(s) de alho amassado(s)
2 unidade(s) de tomate picado(s), sem pele(s), sem sementes
1/2 unidade(s) de cebola picado(s)
coentro picado(s)
cebolinha verde picada(s)
pimenta malagueta (eu boto calabresa)
4 colher(es) (sopa) de suco de limão
sal
Modo de preparo
Amasse o abacate, misture os demais ingredientes.
Sirva com salgadinhos de pacote ou torradinhas.
Para Cléia, Carlito, Xavier, Cris, Maurício, Lauro, Lígia e Claudine - que provaram e aprovaram a guacamole feita por esta que vos escreve para o sábado entre amigos.
[Acabou tão rápido que os que chegaram depois nem viram a cor do abacate. Da próxima vez eu faço mais]
Sunday, January 11, 2009
Friday, January 09, 2009
Yo me mantuve alejado de mi puesto durante años
Me dediqué a viajar, a cambiar impresiones con mis interlocutores
Me dediqué a dormir;
Pero las escenas vividas en épocas anteriores se hacían presentes en mi memoria.
Durante el baile yo pensaba en cosas absurdas:
Pensaba en unas lechugas vistas el día anterior
Al pasar delante de la cocina,
Pensaba un sinnúmero de cosas fantásticas relacionadas con mi familia;
Entretanto el barco ya había entrado al río
Se abría paso a través de un banco de medusas.
Aquellas escenas fotográficas afectaban mi espíritu,
Me obligaban a encerrarme en mi camarote;
Comía a la fuerza, me rebelaba contra mí mismo,
Constituía un peligro permanente a bordo
Puesto que en cualquier momento podía salir con un contrasentido.
Nicanor Parra
...
ando sem saber o que fazer comigo mesma...
Wednesday, January 07, 2009
Tuesday, January 06, 2009
Tem dias em que alguns momentos de nossas vidas voltam tipo uma ventania que, além de descabelar, acende o alerta da saudade de um tempo bom. Hoje, do nada, me peguei cantarolando Sob um céu de blues, dos Cascavelletes.
Bons tempos aqueles do final dos 80. Festinha com rock gaúcho: TNT, Cascavelletes, Graforréia Xilarmônica...
Bons tempos!
Monday, January 05, 2009
Leila Diniz, Joaquim Ferreira dos Santos
[perfis brasileiros - Companhia das Letras]
O filho eterno, Cristovão Tezza
[Record]
Desvarios no Brooklyn, Paul Auster
[Companhia das Letras]
[Todos empréstimos de Regininha Carvalho]
Friday, January 02, 2009
Guardou os dados do velho jogo no saquinho de veludo vermelho. Escondeu num canto do coração. Pronto. Agora a tática seria outra. Pretendia recomeçar. Nada de decisões aleatórias ou jogadas arriscadas. Desceria as escadas pisando em todos os degraus, um após o outro, sem saltos apressados. Já embaixo, olharia sempre para frente e andaria com passo firme em direção ao lugar pré-determinado.
Mas o telefone tocou antes da saída. E ela pulou os degraus de três em três.
Tuesday, December 30, 2008
Saturday, December 27, 2008
Converso com Dauro Veras, por msn, sobre a estupidez dos ataques de Israel contra a região da Faixa de Gaza, na manhã deste sábado, 27 de dezembro.
Insensatez do belicismo capitalista. Tristeza. Na canção de Jorge Drexler, o desabafo: "A nadie le dí permiso/Para matar en mi nombre":
Milonga Del Moro Judio
Jorge Drexler
Por cada muro un lamento
En jerusalén la dorada
Y mil vidas malgastadas
Por cada mandamiento.
Yo soy polvo de tu viento
Y aunque sangro de tu herida,
Y cada piedra querida
Guarda mi amor más profundo,
No hay una piedra en el mundo
Que valga lo que una vida.
Yo soy un moro judío
Que vive con los cristianos,
No sé que dios es el mío
Ni cuales son mis hermanos.
No hay muerto que no me duela,
No hay un bando ganador,
No hay nada más que dolor
Y otra vida que se vuela.
La guerra es muy mala escuela
No importa el disfraz que viste,
Perdonen que no me aliste
Bajo ninguna bandera,
Vale más cualquier quimera
Que un trozo de tela triste.
Y a nadie le dí permiso
Para matar en mi nombre,
Un hombre no es más que un hombre
Y si hay dios, así lo quiso.
El mismo suelo que piso
Seguirá, yo me habré ido;
Rumbo también del olvido
No hay doctrina que no vaya,
Y no hay pueblo que no se haya
Creído el pueblo elegido.
Friday, December 26, 2008
Wednesday, December 10, 2008
Thursday, December 04, 2008
Marina Silva (*)
Nos anos 1970, quando abriam a BR-364 no Acre, ela cortou ao meio o Seringal Bagaço, onde eu morava com minha família. À derrubada da mata seguiu-se uma epidemia violenta e incontrolável de sarampo e malária. Era gente doente ou morrendo em quase todas as casas. Perdi um primo e meu tio Pedro Ney, que foi uma das pessoas mais importantes da minha infância. Morreu minha irmã de quase dois anos e, quinze dias depois, outra irmã, de seis meses. Seis meses depois, morreu minha mãe. Tudo era avassalador, assustador. Uma dor enorme, extrema, e que nunca passou. Para sair disso, tivemos que reconstruir, praticamente, o sentido inteiro do mundo. Aceitar o inaceitável, mas carregá-lo para sempre dentro de si. Ir em frente, enfrentar a dureza do cotidiano, sobreviver, cuidar dos outros. Viver, enfim, e dar muito valor à vida e às pessoas.Em 1985, numa das maiores enchentes do rio Acre em Rio Branco, eu morava no bairro Cidade Nova, na periferia da cidade, numa pequena casa de onde tivemos que sair às pressas, levando o que foi possível numa canoa. O resto foi levado pelas águas, inclusive o único retrato que tínhamos de minha mãe.
Penso agora nisso tudo e acho que consigo entender o que sentem os catarinenses, mas ainda estou longe de alcançar o significado estarrecedor de uma perda tão total e instantânea como a que sofreram. Na escuridão, o morro descendo, destruindo tudo, a busca desesperada pelos filhos, a impotência. E, depois, descobrir-se só em meio ao caos: acabou a casa, foram-se as pessoas amadas, o lugar no mundo. Não há mais nada, só a vida física e a força do espírito.Meus filhos andam pela casa com todo vigor, com toda a beleza da juventude, e sequer consigo imaginar o que seria, de uma hora para outra, vê-los engolidos pela terra, debaixo de toneladas de escombros ou mutilados para o resto da vida. É algo terrível demais até no plano da imaginação. Fere a própria alma tão fundo que chega a ser impossível entender plenamente a profunda tristeza de quem enfrenta essa realidade.
Na Londres de 1624, os sinos da catedral de São Paulo, onde o poeta John Donne era o Deão, tocavam quase ininterruptamente anunciando as milhares de mortes causadas pela peste. Atingido por grave enfermidade (que chegou a ser confundida com a peste) Donne escreveu então um de seus textos mais conhecidos, a Meditação XVII: "Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de teus amigos ou mesmo tua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti."
Hoje, no mundo, os sinos dobram por todos nós e para nos acordar. Grandes desastres podem virar acontecimentos corriqueiros. Não se pode afirmar peremptoriamente que a tragédia de Santa Catarina deriva, em linha direta, das mudanças climáticas identificadas no relatório do IPCC, o Painel Internacional de Mudanças Climáticas da ONU. Mas em tudo se assemelha às previsões de possíveis impactos da mudança no clima do sul do Brasil, até o final do século 21.A natureza, numa pedagogia sinistra, parece exemplificar o que significam esses fenômenos extremos que, em várias regiões do planeta, tenderão a provocar períodos de seca muito mais severos e outros com precipitações intensas.As ações de mitigação necessárias e as adaptações para enfrentar esses efeitos e reduzir nossa vulnerabilidade diante deles, ainda são precárias e estão atrasadas. Os países ricos, detentores de recursos, conhecimento e tecnologia, já avançam em medidas para se proteger. As piores conseqüências deverão recair sobre os países pobres e os em desenvolvimento. A urgência é auto-explicável.
Não é um cientista quem o diz e nem um livro. É a natureza, cujos avisos e alertas têm sido insanamente ignorados.O Brasil, que ontem lançou o seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas, não tem como deixar de fazer a sua parte, mesmo sem os meios disponíveis nos países ricos. O acontecido em Santa Catarina é um sintoma e deve ser seguido de um esforço de grandes proporções, de início imediato, para tentar evitar que se repita.É preciso que cada um de nós, autoridades públicas, empresas e cidadãos, pensemos nos mortos, nas famílias inteiras soterradas, nas vidas destroçadas debaixo do barro, antes de sermos tolerantes com ocupação em encostas, com destruição de matas ciliares, com o adensamento de áreas de risco, com mudanças de conveniência nas legislações. Não há mais espaço para empurrar os problemas ambientais com a barriga, como tentam fazer alguns, e deixar para "o próximo" o ônus de medidas ditas antipáticas. A omissão que ceifa vidas humanas tem que acabar, mesmo à custa de incompreensões.Nos tempos atuais, há mais um componente na agenda ética: não se deixar corromper diante das pressões para ignorar a proteção ambiental e as medidas de precaução exigidas pela intensificação dos fenômenos naturais.
Quem detém algum tipo de representação pública deve se convencer de que é preciso mudar profunda, rápida e estruturalmente os usos e costumes, de modo a preparar o País para um futuro de sérios desafios ambientais. Cada vez mais, não é só uma questão de errar, corrigir o erro e aprender com ele. Agora a palavra de ordem é prevenir o erro, para que não se repitam os olhares perdidos, os rostos esvaziados, o choro inconsolável, a desesperança e as mortes que vimos nesses últimos dias em Santa Catarina
(*) Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente.
Sunday, November 30, 2008
Cena 1 - Quarto de casa do interior - Interior
É novembro de 1978. Uma mulher, ELA, 24 anos, olha-se no espelho. Vemos apenas detalhes do seu rosto, do seu corpo. Não sabemos como ELA é realmente. Ouvimos sua respiração ofegante. Está vestida de noiva. O corte do vestido é clássico, discreto. Renda bem ajustada num corte perfeito. O cabelo está preso por um laço com pequenas flores que arrematam o penteado. Em cima da cama, que está logo atrás da mulher, vemos uma mala de roupas. A mala é vermelha e está aberta.
Cena 2 - Igreja - Interior
Um homem, ELE, 28 anos, está no altar. Vemos apenas detalhes de seu rosto, não sabemos como ele é realmente. Ouvimos sua respiração ofegante. Poucas pessoas espalham-se pelos bancos da igreja.
Cena 3 - Rodoviária de interior - Externa
O ônibus chega. ELA está na rodoviária - uma pequena casinha de madeira pintada de verde e azul, com uma porta apertada - com o mesmo vestido de noiva e a mala vermelha na mão. O cabelo está solto. Não há mais flores.
Cena 4 - Igreja - Interna
Detalhes dos bancos, do chão, das imagens da igreja. Ouvimos a respiração ofegante dELE.
Cena 5 - Rodoviária do interior - Externa
O ônibus parte. Ouvimos a respiração ofegante dELA. É o único som.
Cena 6 - Ginásio do Corpo de Bombeiros - Interno
É novembro de 2008. Num ginásio do Corpo de Bombeiros, em Florianópolis, voluntários separam donativos para os atingidos pelas chuvas em Santa Catarina. No monte dos vestidos, um vestido de noiva, corte clássico, discreto. Algumas manchas amareladas. Do outro lado, no amontoado de coisas a triar, uma mala vermelha. Ainda há uma respiração ofegante no ar.
(O vestido de noiva e a mala vermelha estavam, realmente, entre as montanhas de donativos no centro de triagem do Corpo de Bombeiros, da Trindade, na Capital, na tarde deste domingo, 30 de novembro. O resto é pura ficção).
Friday, November 28, 2008
Monday, November 24, 2008

Smoke - Cortina de Fumaça
Grande filme dirigido por Wayne Wang. Roteiro de Paul Auster, baseado num conto do próprio: “O Conto de Natal de Auggie Wren”.
Sobre Auster, achei um texto bem bacana de Denilson Lopes, professor da UnB, autor e organizador, entre outros, de O cinema dos anos 1990 (2005).
Título do texto já é sugestivo: Andando com Paul Auster.
Tuesday, November 18, 2008
Monday, November 17, 2008

Sunday, November 16, 2008
Wednesday, November 12, 2008
Maneira nova e bacana de acompanhar a produção de filmes é através dos blogs mantidos pelos próprios diretores. Fernando Meirelles fez isso no Diário de Blindness. Almodóvar também contou os detalhes de Los abrazos rotos.
Aqui na Ilha, o cineasta Chico Pereira, vencedor do DOC TV 2008, conta num blog as histórias do documentário Audácia. O doc trata da Operação Barriga Verde, com foco em acontecimentos e personagens que, na década de 1970, conviveram - ou foram forçados a conviver - na Colônia Penal Agrícola de Canasvieiras, na Capital. Fonte importante para o doc é o livro Os quatro cantos do sol: Operação Barriga Verde, do jornalista Celso Martins.
Confere lá!





























