Wednesday, February 18, 2009

Viva México, cabrones!!

O Caderno de Turismo do Correio Braziliense de hoje traz um super material sobre o México. E o melhor: produzido pelos amigos Sílvia Pavesi e Eumano Silva. Eles passaram mais de ano viajando pela hispanoamérica e publicando uma série de reportagens. São textos e fotos especiais!

Do Correio: "Esta reportagem sobre o México encerra a série Viagem pela História publicada pelo Correio desde julho de 2007. Durante um ano, os autores percorreram 14 países da América Latina em ônibus, trens, barcos, triciclos e longas caminhadas. Sem pegar avião, atravessaram todas as fronteiras de Brasília a Tijuana, quase nos Estados Unidos. A série demonstrou como o turismo pode ser usado para se conhecer a memória preservada de um continente. Das doze reportagens, oito mereceram capa do caderno Turismo".

O material sobre o México está super completo e traz como título principal: A arte como testemunha

Várias matérias dão um contexto bem amplo da cultura mexicana:
A conquista do México
Uma cidade sobre a outra
Tesouros da antiguidade
Os amantes da Casa Azul
Além de dicas no Guia de Viagem

Abaixo, reproduzo matéria e foto da Sílvia Pavesi sobre Frida Kahlo e Diego Rivera!

Parabéns pelo belo trabalho!

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Fachada da residência onde viveram Frida Kahlo e Diego Rivera

Os amantes da Casa Azul
A tumultuada relação de Frida Kahlo e Diego Rivera misturou arte, sexo, boemia e política.
Museu revela a intimidade dos dois pintores

Silvia Pavesi
Especial para o Correio


Ao cruzar a soleira da porta da Casa Azul, o visitante entra na intimidade de dois dos maiores artistas mexicanos. Esbarra por todos os lados em fragmentos da história de personagens marcantes do século passado. Logo na entrada, uma frase pintada na parede diz: “Frida y Diego vivieron en esta casa”.

Frida Kahlo, pintora quase que por acaso, casou-se com o consagrado muralista Diego Rivera em 1929. O casal instalou-se na casa construída por Guillermo Kahlo, pai da noiva, no bairro de Coyoacán, nos arredores da Cidade do México. A casa era branca. Foi pintada de azul-vivo pelos artistas em homenagem às fortes cores da cultura mexicana.

Transformada em museu em 1958, quatro anos após a morte de Frida, a Casal Azul reúne uma maravilhoso coleção de objetos e obras de arte que conta um pouco da conturbada e sofrida vida da pintora. Autorretratos, roupas, coletes de gesso, pincéis, cavaletes e dezenas de cartas trocadas entre Frida, seus amantes e personalidades da época emocionam o visitante. A cama onde Frida começou a esboçar os primeiros desenhos está cercada por fotografias de Lênin, Stalin e Mão Tse Tung, lembranças da militância política da pintora que ingressou no Partido Comunista Mexicano em 1928.

Frida nasceu em 6 de julho de 1907. Aos seis anos de idade contraiu poliomelite, doença que afetou o pé direito e o jeito de andar da menina.

A adolescente se preparava para cursar medicina, não pensava em ser artista. O destino começou a mudar no dia 17 de setembro de 1925, quando retornava para casa após um dia de aula, uma colisão mudou a vida da estudante. O bonde que a transportava para Coyoacán sofreu um violento acidente. Uma barra de ferro entrou pela bacia e destroçou o franzino corpo da garota de 18 anos.

As cirurgias e a imobilidade na cama despertaram a veia artística de Frida. Os primeiros rabiscos foram no próprio gesso. Borboletas e flores davam vida à couraça que envolvia o corpo dilacerado. Como o repouso forçado se prolongava, a mãe de Frida, Matilde Calderón, adaptou um cavalete à cama e um espelho no teto para a filha conseguir se ver e pintar. Assim surgiram os primeiros autorretratos.

A artista nunca se livrou das fortes dores e teve que se submeter a inúmeras cirurgias ao longo da vida. Depois de muitas experiências, voltou a caminhar, com certa dificuldade. O martírio e o suplício físicos foram a maior influência na arte da mexicana.


Um dia, Frida tomou coragem e procurou o já famoso Diego Rivera para mostrar alguns quadros. O experiente pintor se impressionou com o trabalho da desconhecida. O gosto pela arte e a militância no Partido Comunista uniram os dois talentos. O corpanzil de Rivera contrastava com a fragilidade da jovem. A mãe ficou contra o casamento. Disse que era a união de uma pombinha com um elefante.

Frida não se deixou influenciar pelo marido e desenvolveu um trabalho próprio. Conheceu o francês André Breton que a classificou de surrealista. Frida respondeu que não pintava sonhos e sim sua própria realidade. Em 1938 realizou a primeira exposição em Nova Yorque. Logo em seguida, expôs no Museu do Louvre, em Paris.

O casamento com Rivera foi marcado por extravagâncias e traições. Cercados de artistas, os dois viviam em um ambiente boêmio e vanguardista para os padrões da época. O muralista tinha casos com modelos, artistas e até com a irmã de Frida. Ela sofria, mas perdoava o marido. Separaram-se mas voltaram a casar algum tempo depois. Mesmo com o corpo retalhado por cirurgias e dificuldades para caminhar, Frida era uma mulher encantadora, sedutora e charmosa. Cultivava admiradores. Homens e mulheres freqüentaram a cama da artista. Rivera fazia de conta que nada via.

Em 1937, Leon Trotski, fugindo da perseguição de Stalin, se refugiou no México e se abrigou na Casa Azul. Os casais discutiam política, estética e visitavam as pirâmides astecas. O velho comunista e a artista acabaram seduzidos um pelo outro. Rivera não suportou e pediu aos russos que deixassem a Casa Azul.

Em 1953, Frida expôs pela primeira vez no México. Quase não pôde ir à abertura. Estava muito doente, com fortes dores na coluna. Proibida pelo médico de levantar, ela chegou ao local da exposição deitada na própria cama, cercada por enfermeiros. Causou comoção. Menos de um ano depois, Frida Kahlo morreu aos 47 anos de idade enquanto dormia na Casa Azul.

Tuesday, February 17, 2009

hoje, talvez amanhã...
Cris e Márcia on the road

Paisagem do interior da Espanha

Amiga-irmã!

Cris Cardoso, minha amiga-irmã pra sempre, volta semana que vem de uma viagem de quase três meses pela Europa. Pense numa pessoa curiosa!! Quero saber de tudo, nega! Pode chegar contando...
Ela e a prima Márcia percorreram vários países, descobrindo cores, aromas, texturas, paisagens. No cartão postal que me enviou, uma foto linda, p&b, de Paris, com palavras de transformação. Viagem sempre transforma a gente, que bom!
Ela relata alguns momentos da trip no Segura o Leme! Espia!

Saturday, February 14, 2009

música

Andar conmigo
Julieta Venegas

Hay tanto que quiero contarte
Hay tanto que quiero saber de ti
Ya podemos empezar poco a poco
Cuentame que te trae por aqui
No te asustes en decirme la verdad
Eso nunca puede estar así tan mal
Yo tambien tengo secretos para darte
Y que sepas que ya no me sirven más.

Hay tantos caminos por andar...
Dime si tu quisieras andar conmigo
Cuentame si quisieras andar conmigo
Dime si tu quisieras andar conmigo
Cuentame si quisieras andar conmigo

Estoy anciosa por soltarlo todo
Desde el principio hasta llegar al día de hoy
Una historia tengo en mi para entregarte
Una historia todavia sin final
Podriamos decirnos cualquier cosa
Incluso darnos para siempre un siempre no
Pero ahora frente a frente aqui sentados
Festejemos que la vida nos cruzó.

Hay tantos caminos por andar
Dime si tu quisieras andar conmigo
Cuentame si tu quisieras andar conmigo
Dime si tu quisieras andar conmigo
Cuentame si tu quisieras andar conmigo...

Si quisieras andar conmigo
Si quisieras andar conmigo...
momentos.bacanas
Ju, eu e Amanda tomando Purezinha no centro da cidade.

Friday, February 13, 2009

Já faz algum tempo que o Osmar partiu pro más allá.
Tem dias em que a saudade bate imensa. Hoje foi um deles. Intenso.
Beijo, querido amigo! E uma poesia pra ti, feita naqueles dias de tristeza:

Quando Osmar Gomes resolveu encontrar Frida Kahlo
(17/11/2006)

vai osmar
dá um beijo na frida kahlo

vou sentir saudades
vou lembrar de risadas e abraços
de caminhadas e poesias
do teu sorriso
de papel higiênico enrolado nas pernas
de teatro
da tua echarpe
das tuas mãos finas
dos teus belos textos
dos teus belos sonhos
das tuas brigas
da tua força
da tua fraqueza

vai osmar
dá um beijo na frida kahlo

Roda-viva

Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mais eis que chega a roda-viva
E carrega o destino pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
No volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a roseira pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

A roda da saia, a mulata
Não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa
Viola na rua, a cantar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a viola pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

O samba, a viola, a roseira
Um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda-viva
E carrega a saudade pra lá

Roda mundo, roda-gigante
Roda-moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração

[Chico Buarque]

Thursday, February 12, 2009

Livros à mão cheia
O SESC convida ao lançamento da coletânea de contos ONZE MARGENS, nesta quinta, 12, às 20 horas, na Biblioteca do Sesc/Prainha, reunindo os onze novos autores do CURSO DE FORMAÇÃO DE ESCRITORES ministrado em Florianópolis por Dennis Radünz.
O CURSO DE FORMAÇÃO é um projeto do Sesc/SC, criado em 2004, e conta com 15 publicações em todas as regiões de SC. ONZE MARGENS, organizado por Radünz, é a 16a. edição do projeto e a primeira de Florianópolis.

ONZE MARGENS / Autores

Adriana Baldissarelli
A eternidade (ou Uroboro)

Adriane Canan
Vértigo

Carlos Cardoso
A ciência de Nazca

Cristiane Cardoso
Aquela velha história

Fabiana Chryssovergis
Fantasia de improviso

Lilian Schmeil
Me and Miss Jones

Manoela de Borba
O traje último de Cubas

Margarida Baird
Amanhã, ninguém sabe...

Rodrigo Brasil
A cidade dos anões

Shaumi Womer
Silêncio das lágrimas

Thiago Toscani
Do Pó ao pó

Tuesday, February 10, 2009

Fabuloso Mundo de Amanda

Novo blog na parada.
É o Fabuloso Mundo de Amanda.
As aventuras de uma guria de oito anos descobrindo o mundo.
As pequenas-grandes felicidades cotidianas!

Monday, February 09, 2009




Querido e talentoso

Juliano Zanotelli, querido amigo de Chapecó, ficou com a gente em Floripa durante uns dias. Veio participar da abertura de exposição coletiva no MASC. Fiquei bem orgulhosa do Ju, expondo suas obras, mostrando seu trabalho! A exposição fica até março! Passem lá pra ver!

Em novembro ele abre uma individual no Badesc.
Tá com tudo, Ju!
Umas asas enormes!

Amanda leu hoje seu primeiro conto do Gabriel García Márquez: Um homem muito velho com umas asas enormes.

Sim, ela gostou muito. Sim, eu me emocionei.
Re-publicando (um conto bem antigo)

Alma

Irina tinha a cabeça baixa e a alma quebrada quando entrou na sapataria. Sentiu que estava suando e esfregou as mãos úmidas na blusa com força. Só então olhou para trás do balcão do pequeno estabelecimento, abarrotado de sapatos esquecidos, de jornais velhos pendurados nas prateleiras de madeira e de sacolas com fechos quebrados.

Ao encontrar o olhar daquele homem alto e gordo, de bigodes ralos grudados pela mesma cola que sufocava o ambiente, ficou com a impressão de que o sapateiro sabia de tudo. Encheu os olhos d’água, sentiu uma leve tontura, mas deu dois passos, apoiou-se no balcão e disfarçou tirando a sandália vermelha da sacola e abrindo um sorriso meio de lado: talvez não houvesse mais conserto, ela se enfiara num buraco sem saída, sentira-se presa, não dava para explicar:

- Aí, bom, quebrou. É isso!

Viu um filtro na mesinha cheia de ferramentas do sapateiro e pediu-lhe água. Precisava se acalmar um pouco antes de saber a opinião do homem. Perguntou se podia sentar. Ele apontou o banquinho forrado de couro. Sentou-se, ajeitou a bolsa no colo e ficou observando o sapateiro que analisava o calçado.

Irina sabia que seria difícil aceitar que terminasse assim, e não tirava aquilo da cabeça. Era uma ótima esposa, fazia tudo para que os fins de semana fossem maravilhosos e que os programas feitos com o Francis tivessem todos os ingredientes daqueles inesquecíveis. As fotos comprovavam todas as aventuras que viveram juntos: Arembepe, Bombinhas, São Francisco de Paula no invernão! Sem falar, é claro, do álbum do casamento: aquela era uma união apaixonada, cheia de coisas em comum, bastava ver a cara dos amigos. E o movimento estudantil? As passeatas? O voto convicto no mesmo projeto político? E a reforma da casa? E O Tigre e o Dragão naquele domingo no cinema? O disco do Chico Buarque comprado num sebo em São Paulo? E ainda havia a história dela levar até o trabalho para perto de casa, para perto do Francis. Os contra eram bem poucos. Ela não gostava de futebol – e aquele enorme pôster do Internacional colado na parede suja da sapataria! -, e era um pouco ingênua para certas coisas. Havia também aqueles sonhos de adolescente, que poderiam levá-la para longe. Mas não era coisa para briga tão feia. Ir para casas separadas, ficar sem se falar, e ainda, que merda!, o buraco e o estrago na sandália vermelha.

Bebeu a água em pequenos goles e sofreu quando o sapateiro puxou o salto com tanta força que descolou tudo.

- Está aqui o problema – disse o homem.

Ele tinha uma voz bonita, forte e amiga. Tentaria resolver, mas o conserto era difícil. Estava quebrada na peça de metal entre o salto e a sola, a alma:

- Problema assim, dona, pode ser até que não tenha jeito.

Ela sentiu vontade de chorar bem alto. Respirou fundo e disse meia dúzia de palavras que saíram sem pensar:

- Bom, vê o que dá pra fazer. Passo aqui amanhã ou semana que vem ou no próximo mês ou...

Levantou-se, colocou o copo no balcão depressa para não mostrar a tremedeira e pensou na Marina. Achou que seria legal dar um pulinho na casa da amiga. Perguntou se não estaria abusando se usasse rapidinho o telefone da casa, o celular estava sem bateria. O homem foi atencioso, alcançou o telefone até o balcão e explicou que a tinta branca dos números tinha desaparecido porque os dedos molhados de cola ou água castigavam as teclas há tempo.
Ela disse que tudo bem e digitou com rapidez os números que tinha na memória. Pediu pra Marina se dava para passar lá e conversar um pouco. Largou o fone no gancho, olhou com carinho para o sapateiro e agradeceu a gentileza. Queria muito cuidado com a sandália vermelha, passaria ali como combinado para saber do conserto.

Encontrou a tarde já caindo na rua e entrou no carro com a cabeça doendo. Ligou o rádio e ouviu As rosas não falam, do Cartola, bem baixinho. Quando chegou no prédio da Marina o sol já tinha se posto, mas os apartamentos estavam com as luzes acesas.

Adriane Canan (2001)
"Mi única explicación es que así como los hechos reales se olvidan, también algunos que nunca fueran pueden estar en los recuerdos como si hubieran sido."

¨Memoria de mis putas tristes¨
Gabriel García Márquez
Editorial Sudamericana

Friday, February 06, 2009


Valentin

Revi Valentin, do argentino Alejandro Agresti.
Que delicadeza.
...

- Tienes que parar con eso de ser astronauta, niño! Eso no te va llevar a nada!
- Como no me vá llevar a nada? Me vá llevar a la luna!!
[Re-publicando]

Epifânia

Epifânia sempre foi mulher de posses. Anote-se: um fusca amarelo, ano 67 - que ela guarda envolto numa capa de pano marrom, um papagaio rouco, três sacolas de feira bordadas à mão, dois jogos de louça bem bonita, sete toalhas de prato pintadas para cada dia da semana, uma casa de madeira, anos 50, silenciosa, encolhida entre dois prédios do centro da cidade, e um suspiro inacabado, preso no fundo do peito.

A verdade é que pouco importa para a história saber o que Epifânia possui. Por direta oposição, nos interessa aquilo que falta. E se o que tem já está listado, apontemos, então, o que ficou vazio. Anote-se: o lado direito de uma cama de casal herdada dos pais, falecidos há 30 anos, quando ela beirava os 45, o lado esquerdo de um armário de madeira com prateleiras, cabideiro para roupas e chapéu, espaço para três pares de sapato, e um bom dia amor numa manhã de inverno.

É tudo.

Adri Canan - 2008

Wednesday, February 04, 2009

Fã do Frank

Esse rapazi dá um banho, ô! Espia lá no Xinelão Studio
[Nunca hice nada distinto de escribir, pero no tengo vocación ni virtud de narrador, ignoro por completo las leyes de la composición dramática, y si me he embarcado en esta empresa es porque confío en la luz de lo mucho que he leído en la vida. Dicho en romance crudo, soy un cabo de raza sin méritos ni brillo, que no tendría nada que legar a sus sobrevivientes de no haber sido por los hechos que me dispongo a referir como pueda en esta memoria de mi grande amor.]


[Madita sea, pensé, qué desleal és el rubor.]

¨Memoria de mis putas tristes¨
Gabriel García Márquez
Editorial Sudamericana

Friday, January 30, 2009

Vou até o old west, buscar minha pequena.
Já volto!

Wednesday, January 28, 2009



menina.pequena.mais linda.
amanda.
agora quase mocinha. oito anos.
[tempo]

Um outro mundo é possível

Já começou o Fórum Social Mundial 2009, em Belém, no Pará.
Boa maneira de acompanhar é pela Ciranda da Comunicação.

Tuesday, January 27, 2009

De emoções e de esperança

Amanda, 8 anos, minha filha, e Alzira, 66 anos, minha mãe, são muito amigas. Neta e avó, unha e carne. Se completam muito, as duas. Amanda está de férias em Quilombo, onde moram meus pais, neste janeiro de 2009. Dona Alzira no volante do fusquinha 76 com Amanda na carona. Não tem tempo feio.

Ontem as duas passaram longas horas do dia em reunião da rádio comunitária lá de Quilombo. Discutindo programação, conteúdo. Refletindo sobre como fazer uma rádio que tenha participação das pessoas. Sobre como fazer uma comunicação mais democrática.

A mãe me ensinou muito nessa vida. Professora de história, sempre me dizia "filha, não esqueça que tem muito mundo lá pra trás desses morros". Me dava livros. Me incentivou a sair, estudar numa universidade pública. O que penso sobre comunicação, o rumo que dei pra minha profissão, levam a marca da Dona Alzira. Guerreira, companheira, lutadora.

Hoje me emocionei muito com Amanda contando da reunião. De como participou, deu ideias - com seu olhar tão aberto de criança - para uma comunicação mais humanista.

Obrigada, mãe!
Maurício me convocou pra escrever seis "auto-coisas-aleatórias". Vamos ver:

1. Nasci em Quilombo, no interior de Santa Catarina. Já rodei o mundo, morei em diversos lugares...Mas o interior não sai de mim, não sai.
2. Amo minha filha Amanda mais que tudo neste mundo. E nos demais que houver por aí.
3. Sou de um signo de terra, mas amo mesmo é água.
4. Gosto de coisas bem simples.
5. Não sei dizer a coisa certa na hora certa.
6. Ando perdendo a memória.

É pra passar pra mais blogs...Ai, essas correntes, Maurício!!
Passo pra alguns: Coluna Extra, Cambalhota, Meleca Verde, Umparaisopessoal.

Sunday, January 25, 2009

Soledad
(Jorge Drexler, 1 de abril, 2006, Sepúlveda)

Soledad,
aqui estan mis credenciales,
vengo llamando a tu puerta
desde hace un tiempo,
creo que pasaremos juntos temporales,
propongo que tu y yo nos vayamos conociendo.

Aquí estoy,
te traigo mis cicatrices,
palabras sobre papel pentagramado,
no te fijes mucho en lo que dicen,
me encontrarás
en cada cosa que he callado.

Ya pasó
ya he dejado que se empañe
la ilusión de que vivir es indoloro.
Que raro que seas tú
quien me acompañe, soledad,
a mi, que nunca supe bien
cómo estar solo.
Gentes das mais queridas da época de Chapecó
(ando sentimental, mesmo)
Reunião do Sindicato dos Jornalistas: Ilka, amiga-irmã

Despedida da Sandy, nossa amiga holandesa:
Ju, Fafá, Adri, Amanda, Sandy, Mônica e Hermógenes
Saudosa Vinil em noite de TNT: Lu, Darci, Adri e Cris

Juliano, querido amigo de sempre!

Ju, Polly, Adri: boas aulas, boas risadas!

Friday, January 23, 2009


Ah, sim. Saudades do Parque da Redenção...De sol e de chimarrão...
E de Porto Alegre, sempre.
E do Nei Lisboa cantando Berlim, Bom Fim:
Já vejo casas ocupadas
As portas desenhadas
No vergonhoso muro da Mauá
Os velhos nos cafés
O Bar João em plena Kriegstrasse
A saga violenta desse parque
O cinza da cidade partido verde ao meio
Cheiros peculiares ao recheio
De um bolo de concreto
Repleto de chucrute e rock'n roll
E depois da meia-noite
A fauna ensandecida do Ocidente
Digitando em frente ao Metropol
Berlim, Bom Fim
Berlim, Bom Fim
Humphrey Bogart e Ingrid Bergman:
Casablanca, 1942, de Michael Curtiz
[sim, sim. ando bem romântica ultimamente]
Bauta. Cuba. 2003.

Tuesday, January 20, 2009


Sandy, querida amiga lutadora, minha emoção de hoje é toda pra você!!

Confesso que, neste momento, estou emocionada.
Tenho certo temor em apostar todas as fichas no Obama.
Talvez esteja errada, mas é uma precaução.
Mas, neste momento, estou realmente com vontade de chorar.
Que todos e todas, neste mundo tão diverso, tenham direitos respeitados.
Somos diferentes e iguais! Somos!

Monday, January 19, 2009

Poemêutica

O tempo
carrega, em si,
quase todo o medo.
Falta-lhe, apenas,
a letra
do dia
d.

Saturday, January 17, 2009


acho que nem sei quem sou, só sei do que não gosto...
[p.s: e do que gosto, que é tanto!]
Serra, sítio
São Bonifácio

Pracinha, rodoviária
Vaquinha pintada

Flores, bons amigos
Banhos, rios

Lagartos, cisnes
Horácios e Marias de Lourdes

Risadas, pamonhas
Mercadinho do Seu Anito

Queijos, arroz integral
Aspargos da horta

Idro, Regina, Tadeu

Estradinha
Sol, chuva, sol

(Para o Idro)

Wednesday, January 14, 2009

Cuba, 2003: momentos (hoje deu baita saudade)

Os alojamentos da Escuela Internacional de Cine Y Televisión.

La Habana: contra los imperialistas.

Com Adriana (Colômbia), Jorane(Brasil) e Yoselin (México).

Em Viñales: o som das imagens.

Nino, mi amigo chileno.

Tuesday, January 13, 2009

Dois filmes


Vicky Cristina Barcelona fui ver no CIC, no domingo. E saí pensando na cicatriz que Vicky levou consigo, depois de Barcelona.



O Banheiro do Papa vi em casa, na segunda. Fazia tempo que queria ver, mas estava esperando o momento. E fiquei pensando que o amor pode ser mais simples do que parece.

2009

Ano de ser outra pessoa.

Virei novelo
(nenhum gatinho
que venha emaranhar)
só cada dia pra tecer
em cores
(ou P & B, tão lindo!)
sem pressa
pontos perfeitos

um ano pra não viver
perigosamente.

Poema da Regininha Carvalho, querida amiga!

Monday, January 12, 2009


Viva México!!


Guacamole

1 unidade(s) de abacate
2 dente(s) de alho amassado(s)
2 unidade(s) de tomate picado(s), sem pele(s), sem sementes
1/2 unidade(s) de cebola picado(s)
coentro picado(s)
cebolinha verde picada(s)
pimenta malagueta
(eu boto calabresa)
4 colher(es) (sopa) de suco de limão
sal


Modo de preparo

Amasse o abacate, misture os demais ingredientes.
Sirva com salgadinhos de pacote ou torradinhas.

...

Para Cléia, Carlito, Xavier, Cris, Maurício, Lauro, Lígia e Claudine - que provaram e aprovaram a guacamole feita por esta que vos escreve para o sábado entre amigos.
[Acabou tão rápido que os que chegaram depois nem viram a cor do abacate. Da próxima vez eu faço mais]

Sunday, January 11, 2009

Amarcord, de Federico Fellini: Volpina
Acontece por acaso. Ela toma uma cerveja, sozinha, num canto do bar, e pensa em Federico Fellini. É final de uma tarde qualquer de um dia qualquer de um estúpido verão qualquer. A vulgaridade do verão parece-lhe tão absurda que na maior parte dos dias prefere nem sair do próprio quarto. Nem acordar. Nem dormir. Nada. Só ficar ali.
Pensa em Federico Fellini. E entra em cena, atravessando a porta do bar, nuvem sobre o que poderia ser real, a doce Volpina. Esgueirando-se pelas paredes, sôfrega. Volpina quer tocar cada um dos homens do bar. Volpina ataca instintivamente. Volpina não se atreve a ter medo.
No canto do bar, ela já não está.

Friday, January 09, 2009

Notas de viaje

Yo me mantuve alejado de mi puesto durante años
Me dediqué a viajar, a cambiar impresiones con mis interlocutores
Me dediqué a dormir;
Pero las escenas vividas en épocas anteriores se hacían presentes en mi memoria.
Durante el baile yo pensaba en cosas absurdas:
Pensaba en unas lechugas vistas el día anterior
Al pasar delante de la cocina,
Pensaba un sinnúmero de cosas fantásticas relacionadas con mi familia;
Entretanto el barco ya había entrado al río
Se abría paso a través de un banco de medusas.
Aquellas escenas fotográficas afectaban mi espíritu,
Me obligaban a encerrarme en mi camarote;
Comía a la fuerza, me rebelaba contra mí mismo,
Constituía un peligro permanente a bordo
Puesto que en cualquier momento podía salir con un contrasentido.

Nicanor Parra

...

ando sem saber o que fazer comigo mesma...

Wednesday, January 07, 2009


2009 começou entre o Rio Tavares e o Campeche: com boas risadas, boa comida, boa bebida e bons amigos!
Bota pra rodar: Sob um céu de blues!

[Com ajuda do Alexandre:)]

Tuesday, January 06, 2009

Sob um céu de recuerdos

Tem dias em que alguns momentos de nossas vidas voltam tipo uma ventania que, além de descabelar, acende o alerta da saudade de um tempo bom. Hoje, do nada, me peguei cantarolando Sob um céu de blues, dos Cascavelletes.

Bons tempos aqueles do final dos 80. Festinha com rock gaúcho: TNT, Cascavelletes, Graforréia Xilarmônica...

Bons tempos!

Monday, January 05, 2009

Últimas leituras de 2008:

Leila Diniz, Joaquim Ferreira dos Santos
[perfis brasileiros - Companhia das Letras]

O filho eterno, Cristovão Tezza
[Record]

Desvarios no Brooklyn, Paul Auster
[Companhia das Letras]

[Todos empréstimos de Regininha Carvalho]

Saturday, January 03, 2009

[amanda e o mar. verão 2001. floripa]

[amanda e feijão. casa da vovó. férias 2003]

[amanda e flor. casa da vovó. férias 2003]

[amanda na poça, depois da chuva. casa da vovó. férias 2003]
...
...si no fuera quererte más que a la propria vida/
no me haria falta existir...

Friday, January 02, 2009

Jogo

Guardou os dados do velho jogo no saquinho de veludo vermelho. Escondeu num canto do coração. Pronto. Agora a tática seria outra. Pretendia recomeçar. Nada de decisões aleatórias ou jogadas arriscadas. Desceria as escadas pisando em todos os degraus, um após o outro, sem saltos apressados. Já embaixo, olharia sempre para frente e andaria com passo firme em direção ao lugar pré-determinado.

Mas o telefone tocou antes da saída. E ela pulou os degraus de três em três.

Tuesday, December 30, 2008

"[...] o mais importante e bonito do mundo, é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas - mas que elas vão sempre mudando".

Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas

...

feliz 2009!

Saturday, December 27, 2008

La guerra és muy mala escuela

Converso com Dauro Veras, por msn, sobre a estupidez dos ataques de Israel contra a região da Faixa de Gaza, na manhã deste sábado, 27 de dezembro.

Insensatez do belicismo capitalista. Tristeza. Na canção de Jorge Drexler, o desabafo: "A nadie le dí permiso/Para matar en mi nombre":


Milonga Del Moro Judio
Jorge Drexler

Por cada muro un lamento
En jerusalén la dorada
Y mil vidas malgastadas
Por cada mandamiento.
Yo soy polvo de tu viento
Y aunque sangro de tu herida,
Y cada piedra querida
Guarda mi amor más profundo,
No hay una piedra en el mundo
Que valga lo que una vida.

Yo soy un moro judío
Que vive con los cristianos,
No sé que dios es el mío
Ni cuales son mis hermanos.

No hay muerto que no me duela,
No hay un bando ganador,
No hay nada más que dolor
Y otra vida que se vuela.
La guerra es muy mala escuela
No importa el disfraz que viste,
Perdonen que no me aliste
Bajo ninguna bandera,
Vale más cualquier quimera
Que un trozo de tela triste.

Y a nadie le dí permiso
Para matar en mi nombre,
Un hombre no es más que un hombre
Y si hay dios, así lo quiso.
El mismo suelo que piso
Seguirá, yo me habré ido;
Rumbo también del olvido
No hay doctrina que no vaya,
Y no hay pueblo que no se haya
Creído el pueblo elegido.

Friday, December 26, 2008

[Hoje faz 36 anos. Olhando para trás é uma imensidão.
Pra frente, mais ainda.]

Wednesday, December 10, 2008

Thursday, December 04, 2008

Dor que nunca passa

Marina Silva (*)

Nos anos 1970, quando abriam a BR-364 no Acre, ela cortou ao meio o Seringal Bagaço, onde eu morava com minha família. À derrubada da mata seguiu-se uma epidemia violenta e incontrolável de sarampo e malária. Era gente doente ou morrendo em quase todas as casas. Perdi um primo e meu tio Pedro Ney, que foi uma das pessoas mais importantes da minha infância. Morreu minha irmã de quase dois anos e, quinze dias depois, outra irmã, de seis meses. Seis meses depois, morreu minha mãe. Tudo era avassalador, assustador. Uma dor enorme, extrema, e que nunca passou. Para sair disso, tivemos que reconstruir, praticamente, o sentido inteiro do mundo. Aceitar o inaceitável, mas carregá-lo para sempre dentro de si. Ir em frente, enfrentar a dureza do cotidiano, sobreviver, cuidar dos outros. Viver, enfim, e dar muito valor à vida e às pessoas.Em 1985, numa das maiores enchentes do rio Acre em Rio Branco, eu morava no bairro Cidade Nova, na periferia da cidade, numa pequena casa de onde tivemos que sair às pressas, levando o que foi possível numa canoa. O resto foi levado pelas águas, inclusive o único retrato que tínhamos de minha mãe.

Penso agora nisso tudo e acho que consigo entender o que sentem os catarinenses, mas ainda estou longe de alcançar o significado estarrecedor de uma perda tão total e instantânea como a que sofreram. Na escuridão, o morro descendo, destruindo tudo, a busca desesperada pelos filhos, a impotência. E, depois, descobrir-se só em meio ao caos: acabou a casa, foram-se as pessoas amadas, o lugar no mundo. Não há mais nada, só a vida física e a força do espírito.Meus filhos andam pela casa com todo vigor, com toda a beleza da juventude, e sequer consigo imaginar o que seria, de uma hora para outra, vê-los engolidos pela terra, debaixo de toneladas de escombros ou mutilados para o resto da vida. É algo terrível demais até no plano da imaginação. Fere a própria alma tão fundo que chega a ser impossível entender plenamente a profunda tristeza de quem enfrenta essa realidade.

Na Londres de 1624, os sinos da catedral de São Paulo, onde o poeta John Donne era o Deão, tocavam quase ininterruptamente anunciando as milhares de mortes causadas pela peste. Atingido por grave enfermidade (que chegou a ser confundida com a peste) Donne escreveu então um de seus textos mais conhecidos, a Meditação XVII: "Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de teus amigos ou mesmo tua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca mandes indagar por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti."

Hoje, no mundo, os sinos dobram por todos nós e para nos acordar. Grandes desastres podem virar acontecimentos corriqueiros. Não se pode afirmar peremptoriamente que a tragédia de Santa Catarina deriva, em linha direta, das mudanças climáticas identificadas no relatório do IPCC, o Painel Internacional de Mudanças Climáticas da ONU. Mas em tudo se assemelha às previsões de possíveis impactos da mudança no clima do sul do Brasil, até o final do século 21.A natureza, numa pedagogia sinistra, parece exemplificar o que significam esses fenômenos extremos que, em várias regiões do planeta, tenderão a provocar períodos de seca muito mais severos e outros com precipitações intensas.As ações de mitigação necessárias e as adaptações para enfrentar esses efeitos e reduzir nossa vulnerabilidade diante deles, ainda são precárias e estão atrasadas. Os países ricos, detentores de recursos, conhecimento e tecnologia, já avançam em medidas para se proteger. As piores conseqüências deverão recair sobre os países pobres e os em desenvolvimento. A urgência é auto-explicável.

Não é um cientista quem o diz e nem um livro. É a natureza, cujos avisos e alertas têm sido insanamente ignorados.O Brasil, que ontem lançou o seu Plano Nacional de Mudanças Climáticas, não tem como deixar de fazer a sua parte, mesmo sem os meios disponíveis nos países ricos. O acontecido em Santa Catarina é um sintoma e deve ser seguido de um esforço de grandes proporções, de início imediato, para tentar evitar que se repita.É preciso que cada um de nós, autoridades públicas, empresas e cidadãos, pensemos nos mortos, nas famílias inteiras soterradas, nas vidas destroçadas debaixo do barro, antes de sermos tolerantes com ocupação em encostas, com destruição de matas ciliares, com o adensamento de áreas de risco, com mudanças de conveniência nas legislações. Não há mais espaço para empurrar os problemas ambientais com a barriga, como tentam fazer alguns, e deixar para "o próximo" o ônus de medidas ditas antipáticas. A omissão que ceifa vidas humanas tem que acabar, mesmo à custa de incompreensões.Nos tempos atuais, há mais um componente na agenda ética: não se deixar corromper diante das pressões para ignorar a proteção ambiental e as medidas de precaução exigidas pela intensificação dos fenômenos naturais.

Quem detém algum tipo de representação pública deve se convencer de que é preciso mudar profunda, rápida e estruturalmente os usos e costumes, de modo a preparar o País para um futuro de sérios desafios ambientais. Cada vez mais, não é só uma questão de errar, corrigir o erro e aprender com ele. Agora a palavra de ordem é prevenir o erro, para que não se repitam os olhares perdidos, os rostos esvaziados, o choro inconsolável, a desesperança e as mortes que vimos nesses últimos dias em Santa Catarina

(*) Marina Silva é professora secundária de História, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente.

Sunday, November 30, 2008

Hipótese de trajetória para um vestido de noiva

Cena 1 - Quarto de casa do interior - Interior

É novembro de 1978. Uma mulher, ELA, 24 anos, olha-se no espelho. Vemos apenas detalhes do seu rosto, do seu corpo. Não sabemos como ELA é realmente. Ouvimos sua respiração ofegante. Está vestida de noiva. O corte do vestido é clássico, discreto. Renda bem ajustada num corte perfeito. O cabelo está preso por um laço com pequenas flores que arrematam o penteado. Em cima da cama, que está logo atrás da mulher, vemos uma mala de roupas. A mala é vermelha e está aberta.

Cena 2 - Igreja - Interior

Um homem, ELE, 28 anos, está no altar. Vemos apenas detalhes de seu rosto, não sabemos como ele é realmente. Ouvimos sua respiração ofegante. Poucas pessoas espalham-se pelos bancos da igreja.

Cena 3 - Rodoviária de interior - Externa

O ônibus chega. ELA está na rodoviária - uma pequena casinha de madeira pintada de verde e azul, com uma porta apertada - com o mesmo vestido de noiva e a mala vermelha na mão. O cabelo está solto. Não há mais flores.

Cena 4 - Igreja - Interna

Detalhes dos bancos, do chão, das imagens da igreja. Ouvimos a respiração ofegante dELE.

Cena 5 - Rodoviária do interior - Externa

O ônibus parte. Ouvimos a respiração ofegante dELA. É o único som.

Cena 6 - Ginásio do Corpo de Bombeiros - Interno

É novembro de 2008. Num ginásio do Corpo de Bombeiros, em Florianópolis, voluntários separam donativos para os atingidos pelas chuvas em Santa Catarina. No monte dos vestidos, um vestido de noiva, corte clássico, discreto. Algumas manchas amareladas. Do outro lado, no amontoado de coisas a triar, uma mala vermelha. Ainda há uma respiração ofegante no ar.


(O vestido de noiva e a mala vermelha estavam, realmente, entre as montanhas de donativos no centro de triagem do Corpo de Bombeiros, da Trindade, na Capital, na tarde deste domingo, 30 de novembro. O resto é pura ficção).

Friday, November 28, 2008

"A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado. Palavras que me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas, que olha o relógio, que compra pão às 6 horas da tarde, que vai lá fora, que aponta lápis, que vê a uva etc etc.
Perdoai. Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso em renovar o homem usando borboletas".
Manoel de Barros

Monday, November 24, 2008


Smoke - Cortina de Fumaça

Grande filme dirigido por Wayne Wang. Roteiro de Paul Auster, baseado num conto do próprio: “O Conto de Natal de Auggie Wren”.

Sobre Auster, achei um texto bem bacana de Denilson Lopes, professor da UnB, autor e organizador, entre outros, de O cinema dos anos 1990 (2005).

Título do texto já é sugestivo: Andando com Paul Auster.

Tuesday, November 18, 2008

Necessariamente, tudo isso chegará ao fim. Tento enxergar lá na frente: daqui uns seis, oito anos, como contarei essa história? Contarei, de alguma forma. E, por certo, ela já será passado. E, por justiça, quero que seja com um bom final. Sim, eu já queria saber, hoje, como vai terminar. Já sei pois, de certa forma, os sinais me apontam. E são muitos. Mas ainda aperta o peito a necessidade de fim, de paz. Espero, mesmo, que esse futuro chegue o mais breve possível.

Monday, November 17, 2008


Menina e palhaço
Sábado, 15 de novembro de 2008.
Campeche, Ilha.
Festa do Miguel, filho do Dauro e da Laura.
Diversão. Amigos. Alegria.
Amanda e o espelho do Palhaço Borboleta.
(foto: Dauro Veras)

Sunday, November 16, 2008

Das coisas que me fazem feliz:

Faço miojo com suco de laranja pra Amanda, num domingo chuvoso, e ela me diz:
- Mãe, que delícia esse almoço!

É simples assim.

Wednesday, November 12, 2008

Making of via blog

Maneira nova e bacana de acompanhar a produção de filmes é através dos blogs mantidos pelos próprios diretores. Fernando Meirelles fez isso no Diário de Blindness. Almodóvar também contou os detalhes de Los abrazos rotos.

Aqui na Ilha, o cineasta Chico Pereira, vencedor do DOC TV 2008, conta num blog as histórias do documentário Audácia. O doc trata da Operação Barriga Verde, com foco em acontecimentos e personagens que, na década de 1970, conviveram - ou foram forçados a conviver - na Colônia Penal Agrícola de Canasvieiras, na Capital. Fonte importante para o doc é o livro Os quatro cantos do sol: Operação Barriga Verde, do jornalista Celso Martins.

Confere lá!
micro-conto-de-manhã-chuvosa

Obviamente o certo deveria ser que eu confiasse no que meu coração teimava dizer: vai lá! Fui, mas atrasei meia hora. A chuva me prendeu no trânsito mais tempo que o necessário para chegar naquele encontro.
Não por acaso.

Wednesday, November 05, 2008


Adoro as "véia" do Frank!


Monday, November 03, 2008

Amanda:
- Mãe, olha só: quando eu crescer vou ter que fazer tudo isso que você faz? Essa correria??
Eu:
- Vai, filha...
Amanda:
- Putz!!!

Friday, October 24, 2008

'Só erra quem produz. Mas, só produz quem não tem medo de errar."

Octavio Paz
[escritor, poeta e diplomata mexicano, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1990]

Wednesday, October 22, 2008

Da oficina de contos do SESC [primeiro semestre de 2008]

Vértigo

Tinha pés miúdos, lembro bem. E, mesmo assim, subia depressa. Sim, depressa, mas com o cuidado de quem ajeita as flores de um caixão. Pé ali, pé aqui. Pé ali, pé aqui.
E eu ficava lá, boba, olhando. Aos 16 anos, achava que não alcançaria, nunca, a certeza de seus pés pequenos de menino sobre o tronco daquela árvore cheia de rugas e segredos nossos.
Tinha medo, na verdade. Tinha medo.
Um dia, talvez, eu arrancaria com os dentes alguma coragem, do fundo de meu pânico, e subiria rápido também.
Só não esperava aquele gesto. Não dele.
- Vem – disse-me.
E eu, louca de raiva - saliva doce entre os lábios -, alcancei-lhe a mão.
Foi o começo do abismo.

Passei a viver da vertigem.
Anotava cada dia depois de dia num caderninho velho.
Abismo, abismo.
Sonhava-me com asas nos pés. E anotava. Sonhava-me um tronco forte. Sem medos. E escrevia lá cada detalhe de minha fortaleza. Enxergava seus pés miúdos e certeiros procurando os meus, débeis.

Fui ele mesmo, o abismo. Tentação súbita, ao seu lado.
Era exato e certeiro, sempre. Segurava-me como árvore frondosa. E dava-me às alturas. Árvore-homem-árvore.

Passei os anos vivendo a vertigem.
Até o fim.
Apoiando-me nas paredes, subi as escadas tortas. Segurando-me em meus braços, vinha eu. Olhei para cima, antes. A mesma sensação encravada no peito, como pedra atirada em ninho-passarinho. Tentei seguir-lhe o exemplo: pé aqui, pé ali.
Faltou-me a mão estendida:
- Vem.
Faltou-me. Estava presa ao gesto:
- Vem.
Subi, lenta. Saliva fria entre os lábios. Nenhuma raiva.
Já no alto, alívio-dor.
Abri a porta do quarto, sentia o cheiro ácido do desespero.
Aproximei-me da cama. Olhos fechados, nenhum suspiro, último. Pareceu-me, assim mesmo, com a certeza de sempre.
Dei-lhe um beijo nos pés miúdos. Beijei-lhe todos os pedaços, com o cuidado de quem se despede.
Foi, eterno, o começo do abismo.

Adriane Canan

Friday, October 17, 2008

Imortais, claro

É por ser gremista - e ter bons amigos - que agora faço parte de um seleto grupo de jornalistas imortais que escrevem no blog Onze Mosqueteiros. Estamos lá, por ordem alfabética: eu (sim, pq eu começo com A), Andressa Taffarel, Carol Mazzonetto, Cássio Turra, Diego Zucolotto, Emerson Gasperin, Gastão Cassel - gremista de quatro costados e o grande responsável por tudo isso! -, Jeferson Cioatto, Marta Scherer, Rayana Borba e Upiara Boschi.

Reproduzo abaixo a minha primeira participação no blog:

Um tio querido, um time amado

Vou estrear aqui contando uma história singela, mas que diz bastante do meu sentimento em relação ao Grêmio.

Meu pai é colorado. Pasmem, cheguei a torcer pro Inter ganhar o tal campeonato mundial - quando foi mesmo?! Das duas, uma: ou o pai teria um ataque do coração de tristeza ou um de alegria... Perigava meu velho sofrer demais, então decidi que seria melhor de alegria. Convenhamos que, pra uma filha, nada como ver o pai feliz, apesar de colorado.

Mas foi só.Meu pai é colorado. E eu, desde pequena, sabia disso ouvindo os gritos dele - "Figueroa! Figueroa!" - , nos domingos de jogo. Naquele tempo o co-irmão tinha bons jogadores, justiça seja feita. Acontece que, além de colorado, meu pai era tratorista. Lá nos idos da década de 70, interior de Santa Catarina, o pai abriu muita estrada ligando as cidades do Oeste. Saía de casa na segunda, voltava no sábado. Nos víamos muito pouco, eu e o pai, naquelas épocas. Nos víamos nos domingos. Por causa do trabalho, ele passou algum tempo distante de mim. Tempo fundamental para alguém decidir o time do coração.

Meu tio mais novo, que morava com a gente, era GREMISTA. E estava sempre comigo. Não que o pai não quisesse ou fosse relapso, mas o tio teve, nesta época, a vantagem de brincar comigo todos os dias. E ele é o tio mais querido do mundo. Me deu uma camiseta do Grêmio, de malha, decote "V", coisa mais linda. Eu devia ter uns 4 ou 5 anos. O tio sabia das coisas. Me levava pra tudo que era lado: ia namorar, me levava junto! Ia buscar fruta no interior, com seu fuscão azul, e me levava junto. Me dava aulas de violão. Me ensinou o hino do Grêmio.

A verdade é que, quando meu pai percebeu, era tarde demais.

Te amo mesmo assim, pai!



Passa lá no blog!

Monday, October 06, 2008

Thursday, October 02, 2008

Exercícios de oficina

Cada coisa tinha o devido lugar em sua vida. Decisões minuciosas. As meias na gaveta das meias, e separadas sempre por cor – verde com verde, fúcsia com fúcsia. A mesma coisa na geladeira: nada mudava de lugar, nunca. O lugar do pote de manteiga seria sempre o lugar do pote de manteiga, e ponto. Para as coisas do coração havia uma decisão antiga e não menos taxativa: elegera a cama de solteiro da casa dos pais como herança.
Ela trocava a fronha todos os dias: amanhecia sempre encharcada.


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Comecei cedo a perceber que não caberia em espaços pequenos: gostava de admirar o céu nas noites quentes, imaginando-me em cada estrela, tocando cada uma delas com as mãos. E era a imensidão. Daí deitava na cama e fechava os olhos: e era a imensidão.


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Vestia saia florida e blusa vermelha. Sentada no ponto do ônibus, cabelos grisalhos, olhou-me assim que cheguei:
- Morax aqui pertinho, nega?
Não, eu disse, moro um pouco mais pra lá, na direção da universidade.
- Tu não conhecex a minha filha, guria? A Lucileide? Ela mora por aqui...
Não, disse eu novamente.
Ajeitou-se nervosa no banco. Calçava sandálias de plástico e respirava com a mesma rapidez com que movia as mãos junto à bolsa de renda:
- Ela também non pára em casa, nega, nunca vi, ô!

Wednesday, October 01, 2008


Mafalda

A personagem Mafalda, do artista gráfico argentino Quino, completou 44 anos no dia 29.09. Adoro essa quarentona!


Tuesday, September 30, 2008

Republicando [conversa com Amanda, de janeiro de 2007)


Sobre o céu

Eu e Amanda voltamos de Florianópolis pra Chapecó de avião, no domingo passado, dia 7 de janeiro. A Gol tem umas promoções boas e até o povo do Old West agora tem vez nos céus catarinenses. E o céu estava lindão. Azul com nuvens branquinhas, branquinhas.

Amanda:

- Mãe, é assim que é o céu?

Eu:

- É, estamos no céu. Que lindo, né? Parece que estamos num sonho!

Amanda:

- Mãe, me conta a verdade?

Eu:

- Que verdade, filha?

Amanda:

- Sobre o céu, ué. Você sabe toda a verdade sobre o céu?

Eu:

- Só sei que é bonito, olha ali que lindo, tão azulzinho!

Amanda:

- A vovó disse que a gente fica invisível quando vai pro céu. Eu não quero ficar invisível. Queria brincar assim, como sou!

Eu:

- Mas estamos no céu e estamos brincando de sonhar no meio das nuvens!

Amanda:

- É, pode ser. Mas acho que ainda não sei toda a verdade sobre o céu. A vovó deve saber. Um dia ela me conta.

Thursday, September 11, 2008

De fraternidades

Andava a passos rápidos. Queria comprar flores. Tinha pressa. Quase corria, na verdade. Quase corria. Não fosse assim, perderia o enterro do irmão.

Álvaro era, antes de tudo, seu irmão. Sim, seu. Mesmo que se perdesse entre os seis que a vida impusera, era ele o mais irmão.

Corria, quase. Não fosse assim, perderia o enterro do irmão.

Álvaro crescera entre cuidados, nascido frágil, de sete meses. Puxava-o, anos a fio, ele sentado no carrinho de madeira. Adorava. Foi até os 8 anos de Álvaro. Seus 11.

Corria. Talvez comprasse lírios.

Na adolescência de Álvaro, faltou-lhes a mãe. Cada irmão seguiu caminho. Álvaro ficou com a avó. Lembrava-lhe o choro na despedida.

Doiam-lhe os pés, a esta altura. Quase sem fôlego, dobrou a esquina. Encontrou aberta a floricultura. Sentiu frio.

Tuesday, September 09, 2008

Duas vezes, acreditar

Se, a sobressaltos, o coração quase insone
teme minutos futuros
Vem, rápida, a esperança e a fé-mãe
dizendo: paciência!

[Deus está por perto
e não abandona o inocente]

Thursday, September 04, 2008

Depois de quase tudo

Oito meses, quatro dias, três horas e cinco minutos. Ela contava o tempo a partir do fim. Era como se, depois daquele adeus, a vida tivesse realmente começado. Ela havia decidido assim. E estava dando certo. Estava.

Foi na esquina da padaria. Um lugar qualquer, num momento qualquer, final de tarde, depois de tudo. A respiração começou a se alterar, do nada. Estranho, suava, de repente. Colocou a mão no peito: coração batia descompassado. Chorou.

Pequena lembrança, mínima, atravessara-lhe a mente. Teria que recomeçar a contagem.

Saturday, August 23, 2008


Minha filha faz 8 anos hoje!
Pra você, Amanda:

Canção mínima

Cecília Meireles

No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro, uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro.

entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de uma borboleta.

Sunday, August 03, 2008

Republicando:

Da série Escritos

(1)

Sobre Paris (duas ou três considerações, de rua ou de sonho)
Adriane Canan (abril de 2002 - Sur-Marne)

Os pés em Paris/Negros como o breu da noite/ Os pés em Paris/ Panos coloridos como um sábado/ Os pés em Paris/ Negros olhos transfigurados num ocidente antropófago/O menino é romeno, chora na mão pelo dinheiro que pede/ Chora a mãe no ventre pelos filhos que carrega/ Choram os pés em Paris/ (Barulho do metrô) /Silêncio nas ruas sepultadas de história/ O peso da cultura nos olhos absortos do intelectual/ E a bicha velha que importa o corpo-menino-asiático por pão e sexo/ O rio gelado e os turistas medíocres que posam de ricos ao som de Edith Piaf/ Os grandes pintores pendurados nas paredes do Louvre/ (Barulho de passos no corredor)/ Arte vale muito?/ A Torre Eiffel e os souvenirs de pobre/ A Place Vendome e a morte da nobre-plebéia-donzela-prostituta que trepava com o milionário egípcio/ Armani,Mont Blanc/ O homem aluga o menino para pedir esmolas/Os pés em Paris/ (Sonho com o Pablo)/ As escadarias de Nogent-Sur-Marne e a tranquilidade na casa da Irina/ As putas-travestis-argelinas do Kadet/ Fotos pra ficar na festa/Os olhos azuis da Lara percorrem a escola de artes/ E a alemã ex-comunista foi para os Estados Unidos do World Trade Center/ (Penso na Amanda)/ O português arrota arrogância e come seus próprios eus/ As baianas são negras como os negros da Estação Les Halles/ Os andinos não recebem palmas/ Os judeus fazem doces no Mares e jogam bombas nos palestinos/ Enquanto o Mc Donalds de Paris tem cabelo no Big Mac/ A França vota numa eleição silenciosa como a morte/Sem pombos/ Uma capa de chuva verde-limão e um dia livre para compras em Paris/ Pausa.

Wednesday, July 16, 2008

De pertencimentos

Adriane Canan

Epifânia sempre foi mulher de posses. Anote-se: um fusca amarelo, ano 67 - que ela guarda envolto numa capa de pano marrom, um papagaio rouco, três sacolas de feira bordadas à mão, dois jogos de louça bem bonita, sete toalhas de prato pintadas para cada dia da semana, uma casa de madeira, anos 50, silenciosa, encolhida entre dois prédios do centro da cidade, e um suspiro inacabado, preso no fundo do peito.

A verdade é que pouco importa para a história saber o que Epifânia possui. Por direta oposição, nos interessa aquilo que falta. E se o que tem já está listado, apontemos, então, o que ficou vazio. Anote-se: o lado direito de uma cama de casal herdada dos pais, falecidos há 30 anos, quando ela beirava os 45, o lado esquerdo de um armário de madeira com prateleiras, cabideiro para roupas e chapéu, espaço para três pares de sapato, e um bom dia amor numa manhã de inverno.

É tudo.

Thursday, June 26, 2008

Friday, June 06, 2008

"El Viaje"
Schwenke y Nilo

Señores denme permiso
pa'decirles que no creo
lo que dicen las noticias
lo que cuentan en los diarios
lo que entiendo por miseria
lo que digo por justicia
lo que entiendo por cantante
lo que digo a cada instante
lo que dejo en el pasado
las historias que he contado
o algún odio arrepentido.

Para que ustedes no esperen
que mi canto tenga risa
para que mi vida entera
les quede al descubierto
para que sepan que miento
como lo hacen los poetas
que por amarse a sí mismos
su vida es un gran concierto
déjenme decirles esto
que me aprieta la camisa
cuando me escondo por dentro.

Y si alguno quiere risa
tiene que volver la vista
ir mirando las vitrinas
que adornan las poblaciones
o mirar hacia la calle
donde juegan esos niños
a pedir monedas de hambre
aspirando pegamento
pa' calmar tanto tormento
que les da la economía
cierto que da risa...

Pero yo creo que saben
donde duermen esos niños
congelados en el frío
tendidos al pavimento
colgando de las cornisas
comiéndose a la justicia
para darle tiempo al diario
que se ocupe del deporte
para distraer la mente
para desviar la vista

De este viaje
Por nuestra historia
Por los conceptos...
Por el paisaje...

Monday, May 19, 2008


12 Segundos de Oscuridad


Jorge Drexler

Gira el haz de luz
para que se vea desde alta mar.
Yo buscaba el rumbo de regreso
sin quererlo encontrar.

Pie detrás de pie
iba tras el pulso de claridad
la noche cerrada, apenas se abría,
se volvía a cerrar.

Un faro quieto nada sería
guía, mientras no deje de girar
no es la luz lo que importa en verdad
son los 12 segundos de oscuridad.

Para que se vea desde alta mar...
De poco le sirve al navegante
que no sepa esperar.

Pie detrás de pie
no hay otra manera de caminar
la noche del Cabo
revelada en un inmenso radar.

Un faro para, sólo de día,
guía, mientras no deje de girar
no es la luz lo que importa en verdad
son los 12 segundos de oscuridad.

Thursday, May 15, 2008

A arte de ser feliz

Já anoitecia. Um ônibus urbano lotado e a hora de voltar para casa. Mãe e filha voltavam, juntas. A mãe levava a pequena, quase três anos, sentada ao colo, agarradinhas que estavam depois de um dia inteiro separadas: uma no trabalho, outra na escola.
Ela apareceu de repente, enorme: - Mãe, olha! – gritou a menina. O dedinho apontava o céu atrás dos prédios: – É a lua!
Riram alto de tanta beleza e luz. E divertiram-se olhando e acenando.
Ponto 38. Cordinha. Sinal de parada. Licença, licença. Desceram.
Já na calçada, a menina-filha se desespera. Rosto lívido, aponta o ônibus já arrancando e seguindo rumo. Grita, outra vez: - Mãe, a lua?
Pavor.
Depois do beijo quase eterno na mãozinha que treme a perda, a mãe aponta o céu.
A pequena sorri e abraça a mãe, com o suspiro-paz das coisas que permanecem.

Saturday, May 10, 2008

Do blog do Pedro Almodóvar (sobre viagens e blogues):

MI FILOSOFIA DEL DESPLAZAMIENTO

Cada vez que me levanto para salir de viaje siento una necesidad irresistible de quedarme en casa. Como si cada viaje significara el final de una etapa de mi vida, que el viaje convierte en pérdida irreparable. No importa que la razón del viaje sea placentera y lúdica. Esta sensación, mezcla de fracaso, melancolía y nostalgia anticipada, me acompaña siempre que salgo de viaje.

Camino del aeropuerto de Torrejón voy leyendo El País y Les Inrocks. Y siento una repentina y urgente necesidad de leer todos los libros que aparecen reseñados en el suplemento literario Babelia, (“El asombroso viaje de Pomponio Flato”, de Eduardo Mendoza, “Dios no es bueno” de Christopher Hitchens,... etc.) ver todos los espectáculos que recomienda, comprar todos los discos que me atraen a primera vista en Les Inrocks, escucharlos todos, y seleccionar los que me seducen de inmediato.

Cada vez que voy camino de un aeropuerto creo que estoy abandonando mi propia vida, y que voy a la deriva. Cuando llego al aeropuerto empiezo a tomar las primeras notas, acompañado por la agradable presencia de las Esclavas del Deseo (Bárbara Peiró, mi Intermediaria con el Mundo Exterior, Lola García, Responsable de Asuntos Internos, Esther García, Directora de Producción de El Deseo) mi hermano Agustín, su mujer Casilda y un torbellino llamada Bibiana, que llega arrebatada a causa de su apretadísima agenda monegasca. Además de los múltiples actos oficiales ella tiene su propio programa, sus propios programas, quiero decir, que incluyen “el Programa de Ana Rosa”, alguna revista de moda y algún programa de radio. Por su parte, Boris Izaguirre viene pisándonos los talones, por amistad, implicación emocional y por la exclusiva que ha acordado con el semanario “Hola” para escribir la crónica del evento, a dos palmos de sus protagonistas.


Los Alaska-Vaquerizo verterán sus experiencias en su recién nacido blog, y yo, como Vds. están viendo, hago lo propio con el mío.Le comento a Bibi mi extrañeza ante tal acumulación de cronistas. ¿No nos estamos pasando yendo de Emperadores de la Movida y multiplicándonos a la vez en cronistas exhaustivos de nosotros mismos? ¿No hay algo depredador respecto a sus serenas altezas monegascas, inconscientes de lo que se les viene encima?Tengo la impresión de que estamos saltándonos una etapa en el proceso natural de “vivir para contarlo”.

Me vienen a la memoria los primeros tiempos del periodismo-ficción, cuando Truman Capote formaba parte del equipaje de los Rolling Stones en su gira rusa, allá por los años 70.
Pasando por alto que ninguno de nosotros posee un gramo del talento de Capote, no sé si me parece buena idea que, en un exceso de entusiasmo, nos hayamos convertido en nuestros propios Capotes.

Thursday, May 01, 2008


Estou trabalhando na divulgação da Mostra de Cinema Infantil, que acontece de 27 de junho a 13 de julho em Floripa. Fiquem de olho aí, amigos do cinema, as inscrições foram prorrogadas até 10 de maio. Tem produção pra inscrever? Clica aqui.